Decisão sobre caças deve ser em novembro, diz Aeronáutica

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O comandante da Aeronáutica, brigadeiro-do-ar Juniti Saito, afirmou nesta terça-feira que deve ficar para novembro a decisão do governo sobre de que fornecedor adquirir aeronaves do tipo caça para o projeto FX-2.

- Espero (que seja em novembro). Já estamos ultimando. Acredito que sim (em novembro). Há muito trabalho (a se desenvolver). Precisamos (dos caças)- disse Saito ao chegar para a posse de José Múcio Monteiro como novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

O processo de venda de 36 novos caças para o Brasil, apesar de as empresas evitarem falar em valores, deve mobilizar um montante de cerca de 4 bilhões de euros. As propostas finais das empresas interessadas foram entregues no dia 2 de outubro.

O Brasil, que no dia 7 de setembro anunciou a decisão política de estreitar as negociações com a francesa Rafale, tem sido pressionado também pela sueca Saab, que chegou a oferecer dois caças Gripen ao preço de um. O diretor da companhia no Brasil, Bengt Janér, registra como diferença em relação aos demais concorrentes o "grande trunfo de efetiva transferência de tecnologia".

Os custos do projeto FX-2, caso o governo brasileiro escolha os aviões modelo Rafale, são apontados como um fator negativo ao pleito francês. O almirante Edouard Guillaud, chefe do gabinete militar do governo Nicolas Sarkozy, já reconheceu haver "problemas de preço" em relação à proposta da França. Um acidente com dois Rafales no Mar Mediterrâneo, em plenas negociações sobre os caças, também arranhou a imagem dos aviões e induziu os franceses a apresentarem ao governo brasileiro informações sobre o incidente e atestar a segurança das aeronaves negociadas.

A principal demanda do Brasil para escolher o vencedor entre os três finalistas está na possibilidade de transferência de tecnologia e na chance de empresas brasileiras poderem fabricar as novas aeronaves e as exportar.

A Saab chegou a listar parte da fuselagem, o trem de pouso e radares como componentes que, caso vitoriosa, dividiria o know-how com o Brasil. Em reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, representantes do governo francês, por sua vez, se comprometeram com a transferência de tecnologia "completa, sem restrição e sem limite".

Em prol da americana Boeing contam argumentos como a possível superioridade técnica FA-18 Hornet, além da disposição da empresa americana de desenvolver com a Embraer o cargueiro militar KC-390, a ser vendido para a FAB. A fabricante dos caças não garantiria, no entanto, uma ampla transferência de tecnologia, vetando potenciais transações brasileiras com países não alinhados aos Estados Unidos.