TSE aposta em ajuda de hackers

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Termina nesta segunda-feiras, às 19h, o prazo de inscrição para os testes públicos destinados a confirmar ou não a inviolabilidade das urnas eletrônicas e de seus respectivos softwares, numa experiência inédita promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral, a ser realizada de 10 a 13 de novembro. Em princípio, quaisquer cidadãos maiores de 18 anos, inclusive eventuais hackers , poderão participar dos testes das urnas. Mas terão prioridade os indicados por partidos políticos (dois por legenda, no máximo), pelo Ministério Público e por instituições de pesquisas.

Temos a expectativa de que os testes serão bastante consistentes porque as pessoas que nos tem procurado em busca de informações demonstraram profundo conhecimento de perícia e auditoria de sistemas adiantou ao JB o secretário de Informática do TSE, Giuseppe Janino, sem revelar, no entanto, o número de interessados já inscritos.

O tribunal só vai divulgar a relação dos investigadores selecionados no próximo dia 26, no Diário Oficial da União, por prudência , já que cada um dos candidatos a desafiar a segurança do sistema eletrônico de captação de votos tem de apresentar um plano de testes , no qual deve detalhar como pretende proceder para atacá-lo , e se o objetivo principal é tentar alterar o destino do voto ou identificar em quem votou cada eleitor conforme explica um dos técnicos do TSE.

Se o número de inscritos for superior à capacidade física do local de realização dos testes, serão selecionados os planos considerados mais abrangentes e bem fundamentados , como algum projeto que se proponha a vencer mais barreiras em menos tempo. Outro critério para seleção será a extensão do ataque, ou seja, a quantidade de procedimentos que serão visados nas tentativas de violação do sistema.

Comissões e prêmios

Foram instituídas, no TSE, duas comissões: a disciplinadora e a avaliadora. A primeira ficou encarregada da metodologia e da formatação dos testes, dos critérios de julgamento, da análise e da aprovação das inscrições. À segunda cabe o julgamento dos procedimentos tendentes a furar o sistema ou a melhorar suas defesas contra ataques de hackers .

Na abertura da audiência pública sobre os testes de segurança, realizada no mês passado, o ministro Ricardo Lewandowski um dos três ministros do Supremo Tribunal Federal que integram o TSE destacou também que o sistema pode ser aprimorado, apesar de sua segurança já ter sido posta à prova em diversas oportunidades, inclusive como etapa do processo eleitoral. Assim, foram instituídos prêmios de R$ 5 mil, R$ 4 mil e R$ 3 mil a serem concedidos aos investigadores que apresentarem as três idéias mais relevantes para tornar ainda mais seguras as urnas eletrônicas.

Lewandowski ficou como coordenador do projeto por ter sido o relator da petição de autoria do PDT e do PT para a realização de novos testes de segurança nas urnas, a fim de verificar possíveis vulnerabilidades dos programas, tendo em vista a crescente ação de hackers . O tribunal acolheu, em sessão administrativa de 30 de junho, a petição dos dois partidos que, no entanto, acabaram por solicitar o seu arquivamento. Apesar dessa desistência, os testes foram mantidos por ter o procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, assumido a autoria da petição, por entender haver interesse público no caso.