Receita apreende 22 carros no 1º dia da Operação Poseidon

Portal Terra

SÃO PAULO - A Receita Federal mostrou no final da noite desta sexta-feira, os primeiros resultados da Operação Poseidon, deflagrada em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público. A operação, que visa coibir a importação irregular de carros e motos, apreendeu 22 veículos na Alfândega de Vitória, totalizando valor de R$ 2 milhões.

A Justiça Federal do Espírito Santo decretou o sequestro judicial de 53 veículos trazidos ao país por uma das empresas envolvidas no esquema de importaçao irregular. Essa empresa, com filial no Espírito Santo e em São Paulo, nacionalizou de forma irregular 212 automóveis e 100 motos até março de 2009, segundo a Receita. A empresa é beneficiária do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) que incentiva a importação.

A Receita também anunciou a apreensão de R$ 10 milhões em títulos mobiliários, carimbos de empresas estrangeiras para falsificar faturas e comprovantes de transferências para contas em paraísos fiscais. Até agora a Operação Poseidon cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, oito deles em São Paulo e duas em Vitória, capital do Espírito Santo.

O trabalho da inteligência da Receita é focado na importação irregular de carros de luxo e motocicletas superesportivas. O órgão descobriu, por exemplo, que um Bentley Continental GT 0km foi comprado por R$ 350 mil e declarado por R$ 228 mil, o que indica 35% de perda em tributos. O preço deste carro, no mercado brasileiro, ultrapassa R$ 1 milhão. Outros modelos como Mustang GT, Corvette, Hummer H3, Dodge Charger e Porsche 911 estão entre os que têm transações investigadas.

Segundo a Receita, as investigações apontam que um tradicional revendedor de veículos em São Paulo deve ser o mentor e principal beneficiário da fraude, que diminuía drasticamente os impostos pagos e por consequência, o repasse dos impostos ao consumidor. Isso, segundo a Receita, configura concorrência desleal contra as demais revendedoras.

O volume de tributos sonegados, somado às multas cabíveis, deve atingir R$ 41 milhões. Os participantes deverão ser indiciados por formação de quadrilha, descaminho, crime contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro.