Governistas tentarão derrubar CPI do MST em "tempo recorde"

Portal Terra

BRASÍLIA - A base aliada ao governo tentará uma difícil manobra na semana que vem para tentar derrubar a CPI mista que a oposição quer fazer para investigar repasses da União ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que vai comandar o movimento "abafa CPI", explica que, a exemplo do que ocorreu na primeira vez em que o requerimento da CPI foi protocolado, vai batalhar pela retirada de assinaturas para que a comissão não saia do papel.

O que tornará a empreitada mais difícil é justamente o fato de a oposição já ter avisado que só vai protocolar o requerimento pouco tempo antes da sessão do Congresso Nacional, marcada para quarta-feira de manhã. O ato de cautela é tomado para evitar que os governistas consigam retirar assinaturas mais uma vez, inviabilisando a CPI. Para sair do papel, a CPI mista precisa de 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.

Mas, mesmo com o tempo curto, o deputado governista afirma ser possível retirar as assinaturas necessárias.

- Eu coordenei da vez passada a retirada de assinaturas e desta vez, assim que eu tomar conhecimento de quem assinou, vou ver a possibilidade de fazer a mesma manobra - afirmou.

Mesmo admitindo ser difícil conseguir retirar assinaturas com o tempo apertado, Dr. Rosinha acredita ser possível obter sucesso.

- Fica muito complicado, terei que fazer em tempo recorde. Mas não significa que é impossível. Eu tenho que saber quem assinou, quais são os parlamentares e os partidos pra iniciar as conversas - disse.

De acordo com ele a ideia é ir atrás de assinaturas dos parlamentares que integram a base do governo e convencê-los de que não há necessidade de se criar uma CPI como esta.

- Da vez passada, procurei os da base e foram eles que retiraram, vou usar a mesma metodologia - afirmou.

- Esta CPI tem o objetivo de criminalizar o movimento social, de fazer campanha eleitoral contra Lula e Dilma e procurar passar para a sociedade uma idéia contrária à reforma agrária, eles não querem a reforma agrária - disse.

De acordo com a Secretaria Geral da Mesa do Senado, onde será protocolado o requerimento, para que o documento seja lido na sessão do Congresso na quarta-feira, a oposição precisa protocolá-lo com tempo hábil para que as Mesas das duas Casas (Câmara e Senado, já que é CPI mista) confiram se o requerimento está correto e se contém as assinaturas necessárias.

Já a base governista tem até a meia-noite da quarta-feira, após a leitura do requerimento pelo presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), para retirar as assinaturas necessárias e derrubar a comissão.