PT revê resistências a Ciro em SP

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O PT paulista deu mais sinais ontem de que pode amortecer as resistências que ainda existem no partido em torno do apoio a uma eventual candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB) ao governo do estado. De olho num cenário mais favorável à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a cúpula nacional da legenda sonha em lançar Ciro como candidato no estado, com o apoio do PT local, deixando o caminho livre para Dilma se apresentar como a única candidata da base governista à sucessão presidencial.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse ontem que está disposto a apoiar um nome que não seja filiado ao PT para o governo de São Paulo caso essa seja a vontade da maioria dos filiados ao partido no estado. Em carta encaminhada ao presidente do diretório estadual do PT, Edinho Silva, Suplicy afirma que apoiará com igual entusiasmo apesar de ser um dos pré-candidato petistas ao governo do estado.

Desejo reafirmar minha disposição em apoiar o escolhido como candidato ao governo do estado de São Paulo por nosso partido. Também apoiarei, com igual entusiasmo, o candidato de partido aliado se for esse o resultado de uma consulta democrática junto aos nossos filiados , prometeu, no documento, Suplicy.

Além do senador, o PT discute a possibilidade de outros cinco petistas disputarem o governo estadual: a ex-prefeita Marta Suplicy, o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, o ministro da Educação, Fernando Haddad, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia, e o prefeito de Osasco, Emidio de Souza.

O deputado Ciro Gomes transferiu o seu domicílio eleitoral para São Paulo, o que foi visto por aliados como uma sinalização de que o parlamentar poderia, eventualmente, desistir da corrida presidencial e se lançar candidato ao governo do estado. Oficialmente, Ciro mantém o discurso de que vai disputar a Presidência da República, mas nos bastidores o deputado já estaria negociando com o PT apoio ao seu nome para o governo de São Paulo, uma forma de deixar a ministra Dilma livre para disputar o Palácio do Planalto sem a sua concorrência direta.

A mudança de domicílio foi feita após pedido da direção nacional do PSB e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, Ciro tem recebido pedidos de setores do PT, principalmente daqueles mais ligados à estratégia nacional do partido, para abrir mão de enfrentar Dilma e sair candidato ao Palácio dos Bandeirantes

Segundo Suplicy, o candidato apoiado pelo PT ao governo de São Paulo deve ter como prioridade na sua plataforma de campanha ajudar Dilma a implantar um programa de renda básica de cidadania, bandeira histórico do senador.

Candidato único

Além de Suplicy, o deputado José Genoino (PT-SP) defendeu ontem a aliança em torno de um candidato único da base de apoio do presidente Lula na disputa pelo governo de São Paulo. Em artigo publicado no blog do ex-ministro José Dirceu, Genoino reiterou que essa estratégia deve ser usada para fortalecer a pré-candidatura de Dilma.

O PT, com Lula e os aliados, tem condição para construir uma vitória estratégica de continuidade deste projeto. Por isto, a eleição de 2010 será plebiscitária. Devemos lutar para que nossa candidatura seja a única da base aliada , afirmou o deputado. No artigo, Genoino ressalta ainda que a construção desta estratégia não é uma tarefa apenas do Diretório Nacional. Ela envolve também as dimensões estadual e municipal de direção, que devem atuar em total conformidade com a construção da vitória da Dilma .

No caso específico de São Paulo, Genoino menciona literalmente o nome de Ciro como um dos candidatos da base que o PT poderia apoiar numa corrida pelo governo estadual. Além de debater internamente os nomes do PT, devemos também estar abertos para avaliar e apoiar nomes de outros partidos, como o de Ciro Gomes, para o governo do Estado , completou o petista.

Em seu artigo, Genoino diz ainda que o PT pode deixar a escolha de seu candidato ao governo estadual de São Paulo para março. A definição do nosso candidato ao governo do estado não é combustível para mobilização e manutenção da ofensividade política do partido , conclui.