Yeda atribui a Tarso vazamento de gravações que levou à crise

Portal Terra

PORTO ALEGRE - Alvo de uma série de denúncias, investigada por uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e enfrentando um pedido de impeachment, a governadora gaúcha, Yeda Crusius (PSDB), vê o ministro da Justiça e pré-candidato do PT ao governo estadual, Tarso Genro, como um dos responsáveis pela crise que sua administração enfrenta. Em entrevista ao jornal Zero Hora, Yeda disse que a Polícia Federal (PF), responsabilidade da pasta de Tarso, vazou fitas que levaram às denúncias.

Perguntada pelo jornal se concordava com a declaração do deputado federal José Aníbal (PSDB) de que o pedido de impeachment tem a participação do ministro, Yeda respondeu: 'qual é a base de tudo? Vazamentos seletivos de fitas gravadas pela Polícia Federal, estão sob a responsabilidade do ministro. Ele poderia dizer: "não é assim, não se faz". Quem responde pela Polícia Federal é o ministro'.

O governo de Yeda tem sido alvo de acusações resultantes da Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou o suposto esquema envolvendo fraudes em contratos de prestação de serviços da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae) para o Detran, e que causou o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres públicos, segundo o Ministério Público.

A situação ficou mais complicada depois que a revista Veja divulgou gravações de conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora e achado morto em Brasília em fevereiro deste ano, e o empresário Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha de Yeda e réu na Operação Rodin. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, no dia 5 de agosto, ação de improbidade administrativa contra a governadora e mais oito pessoas. Eles foram denunciados por enriquecimento ilícito e dano ao erário. Na ação, os procuradores pediram o afastamento temporário dos agentes públicos de seus cargos enquanto durar o processo. Mas a juíza Simone Barbisan Fortes negou o pedido de afastamento da governadora.