Enem: prejuízo com fraude chega a R$ 34 milhões

Portal Terra

SÃO PAULO - O adiamento do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), que seria realizado neste fim de semana por 4,1 milhões de estudantes em todo país, custará cerca de R$ 34 milhões. Mas ainda não se sabe quem arcará com os prejuízos. O valor corresponde ao que foi gasto com a impressão do material, que estava na fase final de distribuição. As despesas com a impressão da prova correspondem a 30% do valor da licitação do consórcio responsável pela impressão e distribuição dos exames que, segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, servirá agora como simulado. A prova, inclusive, já foi disponibilizada pelo Ministério da Educação para que os estudantes possam estudar.

O Enem foi cancelado nesta quinta-feira pelo MEC por que as provas vazaram. A denúncia foi feita pelo jornal O Estado de S.Paulo, que foi procurado por dois homens que tinham a prova impressa e estavam interessados em vendê-la por R$ 500 mil. Na tarde desta quinta-feira, um portal de notícias afirmou também ter sido procurado por pessoas interessadas em vender a prova. Segundo o site, um dos homens afirmou que conseguiu as provas com um colega da Polícia Federal de Brasília que tinha um cargo no Congresso e o perdeu por indicação política.

O vazamento seria "por vingança" e "para levantar algum dinheiro". Já o jornal Estado de S. Paulo recebeu a informação de que o material foi vazado por um funcionário do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela elaboração das provas. Em ambos os casos os homens se diziam respaldados por um advogado e por cópias das provas que foram autenticadas em cartório.

Segundo o ministro, não há qualquer possibilidade de funcionários do Inep estarem envolvidos no vazamento, uma vez que os jornalistas tiveram acesso a uma prova impressa no formato específico. Ele afirmou que a investigação começará por São Paulo, onde um superintendente da Polícia Federal já foi indicado pelo diretor-geral da corporação, Luiz Fernando Corrêa, para apurar o caso.

Responsabilidade

O Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção (Connasel) é a empresa responsável em operacionalizar o Enem. Formado pelas empresas Consultec, Funrio e Instituto Cetro, sediadas, respectivamente em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, o consórcio foi o único que participou da licitação. Apesar de não estar descartada a responsabilidade do consórcio no vazamento, deve ser ele o responsável pela impressão e distribuição das novas provas que, segundo o MEC, já está elaborada e deve ser aplicada em aproximadamente 45 dias.

Negando qualquer participação no vazamento, a Plural Editora e Gráfica Ltda, contratada pelo consórcio para a confecção de 9,4 milhões de exemplares da prova, emitiu nota afirmando que cumpriu as obrigações relacionadas à segurança e que uma equipe do consórcio acompanhou 24 horas por dia todo o processo produtivo.

- Não há tempo hábil para uma nova licitação. E temos dificuldade para fazer um contrato emergencial porque esse consórcio foi o único que apresentou proposta - explicou o ministro que, apesar de todas as dificuldades, não descarta a possibilidade de cancelar o contrato com o consórcio caso seja provada a responsabilidade do mesmo.

Haddad destacou que a logística do processo é muito complexa, mas que a segurança do Enem vem sendo reforçada a cada ano e que a chance de um vazamento como esse ocorrer era maior nos anos anteriores. Ele ressaltou, no entanto, que "os prejuízos poderiam ter sido muito maiores" se a fraude fosse descoberta depois da aplicação das provas.

Este será o primeiro ano que a nota do Enem valerá no processo seletivo da maioria das universidades federais do país. De acordo com o ministro, como existia uma folga entre a realização do Enem e a maioria dos vestibulares, o adiamento não deverá prejudicar a classificação dos alunos nas instituições. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no entanto, suspendeu temporariamente as inscrições do vestibular. A nota do Enem será considerada na primeira parte do vestibular da instituição.

A Comissão de Educação do Senado sinalizou que convidará o ministro para falar sobre o vazamento da prova, na próxima semana.