Vice do RS: Yeda disse que eleição era época de 'poupança'

Fabiana Leal, Portal Terra

PORTO ALEGRE - A CPI criada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul para investigar denúncias de corrupção no governo do Estado divulgou, na noite desta quinta-feira, o vídeo de um depoimento do vice-governador, Paulo Feijó (DEM), no Ministério Público Federal (MPF). No vídeo, Feijó contou que a governadora do Estado, Yeda Crusius (PSDB), disse durante a campanha que a eleição era "época de fazer poupança". Segundo o depoimento, várias doações não entraram na campanha.

- Isso é roubo de caixa dois. Aquilo era caixa três do marido (ex-marido de Yeda, Carlos Crusius) e da candidata - disse o deputado Daniel Bordignon (PT), referindo-se a fala da então candidata ao governo, segundo a conversa relatada por Feijó.

O deputado Paulo Borges (DEM) afirmou que desconhecia o conteúdo do vídeo e considerou o caso "muito sério". "Acho que ultrapassa a CPI e entra na comissão especial do impeachment", disse Borges, referindo-se ao grupo criado para analisar o pedido para que seja votada a saída de Yeda do governo.

O vice-governador, que é desafeto da governadora tucana, informou que quer ir à CPI depois do dia 8, data que encerra o prazo para apresentação do relatório da comissão especial do impeachment. A presidente da CPI, Stela Farias (PT), adiantou, antes de mostrar o vídeo, que a gravação do depoimento seria a preparação para a ida do Feijó à comissão.

O caso

O governo de Yeda tem sido alvo de acusações da Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou o suposto esquema envolvendo fraudes em contratos de prestação de serviços da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae) para o Detran, e que causou o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres públicos, segundo o Ministério Público.

A situação ficou mais complicada depois que a revista Veja divulgou gravações mostrando conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora e achado morto em Brasília em fevereiro deste ano, e o empresário Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha de Yeda e réu na Operação Rodin. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, no dia 5 de agosto, ação de improbidade administrativa contra a governadora e mais oito pessoas. Eles foram denunciados por enriquecimento ilícito e dano ao erário. Na ação, os procuradores pediram o afastamento temporário dos agentes públicos de seus cargos enquanto durar o processo. Mas a juíza Simone Barbisan Fortes negou o pedido de afastamento da governadora.