Oposição próxima de emplacar CPI do MST

Jornal do Brasil

RIO - A oposição aproveitou um cochilo da base governista no Congresso e conseguiu criar nesta quarta-feira uma CPI mista para investigar os repasses federais a ONGs ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Os governistas ainda podiam, até a noite, contudo, impedir a instalação da CPI. Para isso, tentavam convencer os parlamentares da base a retirarem seus nomes do requerimento que pede a criação da comissão. O prazo para retirar as assinaturas terminaria à meia noite de ontem.

A oposição já previa, na tarde de ontem, a corrida da base pela retirada de assinaturas.

Vai ter uma queda de braço. Mas o importante é que já conseguimos garantir a instalação antecipava ontem o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO). O problema agora está com o governo.

O requerimento pedindo a criação da CPI foi protocolado na semana passada com 226 assinaturas. Para a CPI ser criada são necessárias apenas 171 assinaturas. O requerimento pedindo a criação da comissão foi lido ontem enquanto o Congresso Nacional aprovava um crédito extraordinário de R$ 1 bilhão para reforçar os caixas das prefeituras.

Para ser instalada, ainda é necessário que os partidos indiquem os membros que integrarão a CPI. Se instalada, a comissão vai ser composta por 12 senadores e 12 deputados. O governo, como sempre, deve ter maioria na CPI.

Segundo a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu (DEM-TO), o foco das investigações será a origem e o destino do repasse de recursos da União para ONGs envolvidas com o MST em São Paulo, Pernambuco, Pará e Mato Grosso, onde o MST é mais forte e se manifesta com mais violência e mais força .

A oposição suspeita que ao menos R$ 60 milhões tenham sido desviados pelo movimento de convênios com o governo. A senadora disse que uma das primeiras investigações da CPMI será em cima do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de São Paulo. Três coordenadores dos núcleos de apoio do órgão no Pontal do Paranapanema exerceram funções na Cocamp, uma cooperativa criada pelo MST que é alvo de investigação da polícia por mau uso de recursos públicos.

(Com agências)