Polícia apura suposta rede de pedofilia no interior de SP

Chico Siqueira, Portal Terra

SÃO PAULO - Integrantes da Polícia Civil de Olímpia e de Guaraci, no interior de São Paulo, investigam uma suposta rede de pedofilia, que teria abusado de dez crianças e pré-adolescentes, de 7 a 14 anos, nas duas cidades, nos últimos meses.

Quatro vítimas foram ouvidas na quarta-feira e outras duas nesta quinta, mas o teor dos depoimentos e a identidade delas e dos pais foram mantidos em sigilo. As vítimas passaram por exames no Instituto Médico Legal (IML), mas os resultados ainda não saíram.

O caso é apurado em dois inquéritos, na Delegacia da Mulher e 1º DP de Olímpia, mas as investigações também correm na Delegacia de Guaraci, cuja população, de 9 mil habitantes, foi surpreendida com as notícias, especialmente porque a única pessoa presa até agora é conhecida na cidade. Trata-se de um eletricista, cuja prisão, no sábado à noite, reforçou a possível existência da rede.

O acusado foi preso em flagrante por estupro de vulnerável, quando estava com duas crianças, dentro do carro, em uma rua de Olímpia.

"Chegamos nele depois de cinco dias de investigações, sigilosas, originadas por denúncias anônimas", disse a delegada da Mulher de Olímpia, Maria Teresa Vendramel. Segundo ela, diligências estão sendo feitas para apurar a participação de outros pedófilos.

Além do acusado, os pais de quatro menores também são investigados por conivência. Eles não teriam denunciado os abusos aos filhos em troca de cestas básicas e dinheiro. Uma mãe teria recebido R$ 1 mil para não denunciar o agressor.

Já o eletricista - que é pai de três filhas e há meses era monitorado pela polícia -, tem passagens por homicídio e tráfico de entorpecentes.

Ele aliciava crianças nas portas das escolas e em outros locais. Prometia levá-las para jogar fliperama e pedia para chamá-las de tio quando alguém chegava próximo. O acusado também fotografava as vítimas nuas, segundo a delegada, especialmente as pré-adolescentes.

De acordo com a delegada Maria Teresa Vendramel, as denúncias de abusos contra os menores foram reforçadas depois da prisão do eletricista. "A gente já tinha recebido denúncias de que ele agia nas duas cidades, especialmente tirando fotos de pré-adolescentes e cometendo atos libidinosos, mas novas denúncias foram surgindo depois da prisão", disse.

Segundo a delegada, duas crianças, de nove e 12 anos e seis meninas de 12 a 14 anos foram ouvidas. Outras duas crianças, de nove anos, seriam contatas ainda nesta quinta-feira para prestar depoimentos.