Desmatamento: Ministério intensifica fiscalização no cerrado

Luciana Abade, Jornal do Brasil

CRISTALINA (GO) - Duas semanas depois de lançar o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esteve em Cristalina, a cerca de 100 quilômetros de Brasília, para desmontar uma carvoaria ilegal ontem. A operação, realizada pelo Instituto Nacional de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em parceria com a Polícia Militar de Goiás, destruiu 19 fornos de carvão na fazenda Buritizal. O proprietário, Sebastião Pinto Brandão, foi multado e encaminhado para a delegacia. Ele será indiciado por crime ambiental e poderá pegar de um a seis meses de detenção. Como apenas um forno estava em funcionamento no momento do flagrante, a multa aplicada foi de apenas R$ 1 mil.

A carvoaria, que funcionava desde 2005, estava com a licença vencida há dois anos. Para produzir o carvão, o proprietário queimava espécies nativas do cerrado como pauterra, sucupira, barbatimão, pequizeiro e aroeira. Segundo os técnicos do Ibama, para ter matéria prima suficiente para os 19 fornos o proprietário precisava desmatar uma área correspondente a cem campos de futebol por ano. O lucro da atividade ilegal podia chegar a R$ 14 mil por mês.

Não estão mais faltando leis afirmou o ministro. É preciso agora fazer cumprí-las. Vamos estender ao Cerrado a restrição ao crédito agrícola para quem não cumprir as normas ambientais. Isso valerá para os 60 municípios que mais desmatam o cerrado.

Estudo do ministério mostrou que 48% do cerrado já foi desmatado. O ritmo de desmatamento do bioma já corresponde a 21 mil Km² por ano, contra 10 mil Km² da Amazônia. A pecuária extensiva e o o plantio de soja para exportações são as principais causas de devastação do cerrado. O PPCerrado pretende conceder ao bioma o mesmo tratamento já dispensado à Amazônia. Mas como a lei exige uma reserva legal de apenas 20%, parte considerável do desmatamento é legal, o que dificulta o combate a devastação. O Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) deve implementar o monitoramento do bioma por um sistema que identifica por satélite as novas áreas de desmatamento em tempo real.

O fazendeiro explora a madeira nobre e depois desmata para fazer pasto explicou o ministro.