Simon diz que apoio de Lula a Sarney pode 'desgastar' Dilma

Portal Terra

BRASÍLIA - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a discursar na tribuna do Senado nesta segunda-feira para pedir a renúncia de José Sarney (PMDB-AP) da presidência da Casa. O parlamentar gaúcho afirmou também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode desgastar a possível candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2010.

- Será que o senhor presidente Lula, será que passa pela cabeça dele que, (com) essa forma de agir, a sociedade não sabe interpretar e (o apoio ao presidente da Casa) está somando para a ministra Dilma? Será que fazer a ministra Dilma ir na casa de Sarney e pedir para ele não renunciar ... será que ele acha que soma para a ministra Dilma? Meu Deus, a ministra Dilma não merece isso - disse.

Simon criticou a postura da base governista em arquivar as denúncias contra o colega de partido no Conselho de Ética. Para ele, o governo poderia pelo menos "fingir" analisar o caso antes de engavetar as ações.

- Eu creio que se o presidente Sarney não renunciar, eu acho que independente de nós uma mobilização vai acontecer. Eu sinto isso nas representações que eu recebo de estudantes, intelectuais que têm se manifestado. Nós vamos perder a grande oportunidade de nós fazermos alguma coisa - disse Simon.

- Toda essa bateria de fatos que a imprensa vem apresentando, o presidente da Comissão de Ética arquiva em dois dias. Isso não é sério, eu não entendo como as pessoas aceitam isso. Isso não é conceito de ser oposição. Até o governo, se quer defender, pelo menos finja, faça um ritual: 'vamos ver, vamos discutir, vamos analisar' - disse o parlamentar.

Sem citar nomes, Simon comentou supostas ameaças que a oposição enfrenta por representar contra Sarney.

- Por parte da liderança do meu partido e de Sarney, se nota que há uma espécie de tropa de choque para impedir que o assunto seja debatido - disse.

- A imprensa tem falado de dossiê e dossiê, no sentido de aterrorizar. Eu acho que se tem uma coisa contra fulano, contra beltrano, contra não sei quem, fala-se, mas não na forma de chantagem. Vamos esgotar o primeiro e depois passar para o segundo, terceiro ou quarto.