Sócio de Dantas fez doação para campanha de Sarney em 2006

Portal Terra

SÃO PAULO - O empresário Richard Klien, sócio do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, doou R$ 270 mil ao senador José Sarney (PMDB-AP), em 2006, ano em que foi reeleito, segundo informou nesta terça-feira o jornal Folha de S.Paulo. A filha de Sarney, Roseana, recebeu, no mesmo ano, R$ 240 mil para sua candidatura ao governo do Maranhão - ela foi derrotada, mas assumiu o governo em abril, depois que o eleito foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Dantas, indiciado pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF), e condenado no ano passado por corrupção pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, tem Klien com sócio na Santos Brasil, empresa que administra o terminal de contêineres do porto de Santos (SP), privatizado em 1997. De acordo com a Folha, a empresa é considerada a maior do setor na América Latina e teve renda bruta de R$ 818,5 milhões no ano passado.

O interesse de Klien, ainda segundo o jornal, estaria relacionada à política de portos no Brasil, área que teria influência direta de Sarney. Teria sido indicação do senador o atual diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Antonio Brito Fialho, que foi diretor da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).

Klien também fez doações a outros candidatos em 2006 - Jandira Feghali (PC do B-RJ) e Índio da Costa (DEM-RJ). A família Sarney, no entanto, ficou com 83% do total doado pelo empresário. Os outros candidatos apoiados por Klien receberam R$ 50 mil cada um. Em 2008, o sócio de Dantas doou R$ 250 mil para o Diretório Nacional do PT, em Brasília, e o suplente do conselho de administração da empresa, Thomas Klien, doou R$ 150 mil para o Diretório Nacional do PSDB.

Segundo a Folha, a assessoria do senador José Sarney disse, por e-mail, que Klien "sempre foi um doador declarado na Justiça de campanhas eleitorais" e que o senador desconhecia a sociedade com Dantas. A assessoria do banco Opportunity informou que Dantas e o banco "nunca discutiram com Klien suas doações pessoais para campanha". O empresário não foi localizado, informou o jornal.