Sarney lidera ranking dos faltosos do Senado

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A estratégia do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de evitar o plenário nos últimos meses para não enfrentar cobranças para que se afaste do cargo rendeu ao peemedebista a liderança no ranking dos mais faltosos da Casa. Segundo levantamento do site Congresso em Foco, Sarney foi o senador que mais faltou às sessões no primeiro semestre. Ao todo, o peemedebista não compareceu em 17 das 60 sessões realizadas.

Na sequência, aparece o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos principais defensores do presidente do Senado, com 12 faltas, nenhuma com o devido pedido de licença. Na outra ponta, a dos menos faltosos, aparece o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que compareceu a todas as sessões. A segunda colocação foi disputada entre os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Eliseu Resende (DEM-MG) e Marco Maciel (DEM-PE). Os três compareceram ao plenário 59 vezes e quando não o fizeram foi para participar de missão política, com a licença devidamente registrada nos canais oficiais da Casa.

De acordo com o estudo, no total, os 81 senadores somaram 185 faltas sem justificativa, o que equivale a 4,5% do total de presenças registradas em plenário. As ausências diminuíram em relação a 2007, quando o percentual de faltas era de 16%. Já os pedidos de licença chegaram a 598 no primeiro semestre deste ano, número muito maior do que o registrado em relação ao primeiro levantamento.

A assessoria do presidente do Senado argumentou que Sarney é um dos parlamentares mais presentes na Casa, comparecendo de segunda-feira a sexta-feira, mas precisas se ausentar do Plenário, muitas vezes, devido a extensa agenda de trabalho que cumpre externamente, inclusive, representando o Legislativo em cerimônias.

Sem dúvidas

O governo minimizou, nesta segunda-feira, a nota do PT, divulgada na sexta-feira pelo líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante (SP), pedindo o afastamento temporário Sarney.

O que nós avaliamos é que isso não é um movimento do PT. Nós imaginamos que seja o posicionamento de um ou dois senadores afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, ao sair de reunião de coordenação política do governo. Quando perguntado se o governo manteria sua posição a favor da permanência de Sarney na presidência do Senado, Múcio respondeu: Não tenha dúvida.

A direção do PT vai tentar negociar uma trégua com a bancada do partido no Senado em torno da permanência de Sarney no cargo. O presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP), deve convocar uma reunião com os senadores petistas na semana que vem e defender que não é papel da bancada discutir a saída ou afastamento de Sarney.

Segundo interlocutores, a avaliação de Berzoini é que, como o PT não apoiou a candidatura do peemedebista ao comando do Senado, não tem responsabilidade pelas ações dele no cargo. O presidente do PT teria dito que foi surpreendido com a nota divulgada por Mercadante, Na leitura de Berzoini, não haveriam novos motivos para pressionar o peemedebista.

Prioridades

Em conversas com aliados neste fim de semana, Sarney disse que a sua prioridade no momento é o tratamento de sua mulher, Marly Sarney, operada na madrugada desta segunda-feira. Segundo interlocutores, o peemedebista segue firme na ideia de não se afastar do comando da Casa.

Dona Marly foi operada no hospital Sírio-Libanês por causa de quatro fraturas no ombro esquerdo. Ainda não há previsão de alta. A mulher do presidente do Senado sofreu uma queda na quinta-feira na residência do casal em São Luís e foi transferida domingo passado para a capital paulista. De acordo com boletim médico divulgado nesta segunda-feira, a esposa de Sarney se recupera bem da cirurgia, que reconstituiu os ossos fraturados do ombro esquerdo sem a necessidade de colocar uma prótese.

O PSDB defenderá no Conselho de Ética do Senado a união de todas as denúncias e representações contra Sarney em um único documento, a ser analisado por um só relator, informou o vice-líder do partido nesta segunda-feira, senador Alvaro Dias (PR). A estratégia do PSDB, segundo ele, é a de tentar acelerar a tramitação de um possível processo contra o Sarney e encerrar a questão ainda em agosto.

Nesta terça-feira o PSDB deve encaminhar uma representação ao conselho unificando as quatro denúncias já apresentadas individualmente contra Sarney pelo líder do partido, senador Arthur Virgílio (AM).

Que se apense tudo, (também) a representação do PSOL, e se dê para um só relator, que julgará pelo conjunto da obra, para julgar tudo até agosto declarou o tucano. Dias adiantou também que o PSDB vai centrar esforços para resolver a situação no Conselho de Ética. No Plenário do Senado é mais complicado porque o voto é secreto. Tem um fator que deve ser considerado. Teremos eleições no próximo ano. Os senadores percorreram suas bases nestes dias de recesso e perceberam a grande indignação popular, não há como superar essa crise sem a solução desse impasse que convergiu para a figura do presidente Sarney. (Com agências)