Rio lança campanha para venda segura de gás

Thais Leitão, Agência Brasil

BRASÍLIA - Riscos de incêndio em casa e na vizinhança, perda da garantia sobre a qualidade do produto e falta de assistência técnica em casos de defeito são alguns dos principais prejuízos que o consumidor tem ao comprar botijões de gás em revendedores ilegais.

Para combater a atividade irregular na comercialização de gás, foi lançada nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, uma campanha para alertar a população sobre os perigos dessa prática e ajudar os consumidores a identificar os pontos de venda autorizados, que ganharão cartazes com o slogan "Gás Seguro é na Revenda Legal .

De acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sérgio Bandeira, o material vai servir como um selo de qualidade dos estabelecimentos.

Dados da entidade apontam que, no Rio, cerca de 2 milhões de botijões, volume que representa metade do consumo mensal em todo o estado, sejam adquiridos em pontos ilegais. Os prejuízos dos revendedores autorizados são calculados em R$ 42 milhões mensais.

Em todo o Brasil, estima-se que existam aproximadamente 200 mil pontos ilegais de venda funcionando, muitas vezes, em padarias, bancas de jornal, bares, dentre outros.

- O nosso objetivo é facilitar a vida do consumidor, que agora terá mais instrumentos para conferir se um ponto de venda é legal. A revenda irregular é um risco desnecessário porque, muitas vezes, o consumidor vê a prática como uma conveniência, já que o gás não acaba quando você está dormindo, mas, por exemplo, quando você está cozinhando. Então, acaba sendo mais fácil telefonar para o ponto de venda da comunidade, mais perto. Mas é preciso que a população saiba que essa prática é um crime que traz muitos prejuízos a ela própria, aos revendedores formais e ao estado - afirmou Bandeira.

Para a campanha Revenda Legal, que, desde 2006, vem sendo realizada em outros estados, os empresários do setor vão investir R$ 500 mil que serão destinados também à produção de anúncios para serem veiculados em jornais, rádios, ônibus, trem e metrô. Com a iniciativa, esperamos reduzir em 79% a clandestinidade e incentivar a população a denunciar o comércio ilegal , acrescentou Bandeira.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP), parceira do Sindigás na campanha, disponibilizou o telefone 0800 970 0267 para receber, de graça, denúncias de comércio ilegal.

O superintendente adjunto de Fiscalização do Abastecimento da ANP, Oiama Guerra, lembrou que o comércio ilegal também pode causar prejuízos ao bolso do consumidor.

-Como não há controle dos órgãos responsáveis, um botijão de 13 quilos, por exemplo, pode ter tido parte do produto subtraída - afirmou.

O secretário municipal de Ordem Pública do Rio, Rodrigo Bethlem, destacou que o combate à pirataria nessa atividade conta com o apoio do poder público e que representa também um serviço ligado à segurança pública, já que essa atividade, em algumas comunidades cariocas, é explorada irregularmente por grupos milicianos.

- Entendemos que não há outro caminho para o Rio a não ser a formalidade, não apenas nessa atividade, que tem sido alvo de grupos armados. Muitas vezes, a população é refém desses grupos que acabam sobretaxando o produto. Na medida em que se vai legalizando nas áreas mais carentes, você enfraquece os atravessadores criminosos - destacou.