Quatro são detidos em protesto na casa da governadora do RS

Portal Terra

PORTO ALEGRE - Quatro pessoas foram detidas durante um protesto em frente à casa da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), no bairro Vila Jardim, em Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira. Organizada pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato), a manifestação pede o impeachment da governante. As informações são da rádio Gaúcha.

Entre os detidos, estão a presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, uma estudante e dois professores, informou a rádio. A Polícia Militar (PM) tentou conter o grupo que, por volta das 8h30, já havia sido retirado do local. Os detidos foram levados ao 14º Distrito Policial.

Os manifestantes se dirigiram a ônibus disponibilizados pelo Cpers e devem seguir para o centro da capital, onde ocorrerá a segunda etapa da manifestação, em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual.

Ainda de acordo com informações da rádio Gaúcha, os netos da governadora tiveram dificuldade de sair de casa devido ao protesto. Em entrevista à rádio, Yeda Crusius reagiu, dizendo que os professores sabiam que havia crianças dentro da casa e que elas iriam para a escola realizar provas nesta quinta-feira.

- A violência e o absurdo são tão grandes que só posso descrever com os meus netos. Crianças de oito e 11 anos saem chorando de casa. (...) Vocês não são professores. Vocês são torturadores de crianças - afirmou Yeda.

Em nota divulgada no site do Cpers, a entidade afirma que o posicionamento do sindicato é de que "a governadora não tem mais legitimidade para ocupar o posto e deve ser imediatamente afastada".

- Acuada por indiciamentos de dois dos seus secretários pela Polícia Federal gaúcha, por corrupção e cada vez mais desacreditada nas pesquisas de opinião, a governadora Yeda Crusius tem evitado aparições públicas, mas não consegue evitar o desgaste de sua administração - diz a nota.

O governo de Yeda tem sido alvo de acusações desde a Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou um suposto esquema envolvendo fraudes em contratos de prestação de serviços da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae) para o Detran, e que causou o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres públicos, segundo estima o Ministério Público.

A situação ficou mais complicada depois que a revista Veja divulgou gravações mostrando conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha de Yeda e réu na Operação Rodin. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

O novo secretário interino, Francisco Luçardo, foi também foi procurador-geral de Justiça do Estado e atuava como de secretário-adjunto da Casa Civil desde fevereiro de 2009.