Para ONG, buscas no Araguaia são encenação para inglês ver

Portal Terra

BRASÍLIA - A ONG Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro criticou a comissão criada pelo Ministério da Defesa para buscar os restos mortais de guerrilheiros desaparecidos no Araguaia. Para os dirigentes da entidade, a operação é "mise-en-scène (encenação) para inglês ver", e não tem real interesse em localizar as ossadas. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Para a organização, a mobilização do Exército só ocorre por conta de pressões internacionais, como a ação que chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA).

- Foram eles que assassinaram os nossos parentes. Agora vão desmanchar as provas que ainda existem - afirmou Vitória Grabois à Folha. Ela perdeu na guerrilha o pai, Maurício Grabois, líder do movimento, o irmão, André, e o primeiro marido, Gilberto Olímpio Maria.

Segundo o jornal, o Exército afirma que quem comanda as buscas são civis e que sua função é apenas dar suporte logístico para técnicos.

Na semana passada, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou que os trabalhos de escavação no Araguaia para localizar corpos de guerrilheiros e militares mortos durante a Guerrilha (1972-1975) devem iniciar em agosto. O grupo de trabalho que acompanha a busca ainda está na fase de reconhecimento das áreas onde estariam as ossadas.

A partir de novembro, haverá um trabalho de laboratório para avaliar os resultados das escavações. A criação do grupo de trabalho para a realização das buscas foi feita com base em uma sentença judicial de 2003, informou o ministro. A decisão determinava que a União, entre outras ações, localizasse as ossadas de desaparecidos.