Paulo Duque nega ter sido eleito a fim de proteger Sarney

Alex Rodrigues , Agência Brasil

BRASÍLIA - Emocionado com sua eleição para presidir o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) declarou que todos os senadores, sem restrição , merecem seu respeito e admiração, ressaltando que, entre eles, há diversos ex-presidentes e ex-governadores. Na função para a qual foi eleito, Duque será responsável por conduzir a apuração das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que já ocupou a Presidência da República.

Eleito com os votos da base governista, Duque negou que tenha sido escolhido graças a uma estratégia para evitar que as diversas acusações contra Sarney sejam investigadas a fundo.

- Eu não sou soldado de ninguém - declarou o senador, dizendo que a oposição pode confiar em que ele conduza os trabalhos do Conselho de forma independente.

- Vou seguir o regimento. Pretendo ler o relatório, continuar lendo os jornais e, eventualmente, ir ao Maranhão para conhecer esta fundação [Fundação José Sarney, suspeita de desviar recursos públicos da Petrobras] que ninguém conhece - adiantou Duque, que agendou para o dia 5 de agosto a primeira reunião do colegiado. Na ocasião, além da escolha do vice-presidente, Duque deverá responder se o conselho vai ou não investigar as denúncias contra José Sarney.

- Eu ainda não conheço o caso. Só depois vou ver se há necessidade de convocar alguém para depor - respondeu, quando perguntado se pretende convocar alguém e se terá coragem de recomendar a cassação do senador José Sarney. - Eu, por enquanto, não acho nada. A coragem se mostra na hora - disse.

Duque, hoje o senador mais idoso, assumiu o mandato na condição de segundo suplente do ex-senador Sérgio Cabral, que renunciou ao mandato em dezembro de 2006 para assumir o governo do Rio de Janeiro.