Lula pede 'muito cuidado' com denúncias contra Sarney

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a sair em defesa nesta quarta-feira do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e disse que as denúncias de irregularidades na fundação que leva o nome do parlamentar devem ser tratadas "com muito cuidado". Lula, que já havia declarado que Sarney deveria ser tratado de forma diferente dos demais cidadãos, disse ser contra o afastamento temporário do senador e afirmou que o peemedebista tem agido corretamente para debelar a crise que assola o Congresso.

- Não se trata de dar apoio ao Sarney ou ser contra o Sarney. Se trata que, na medida em que se levanta a denúncia, se faça a apuração. Acho que as coisas estão sendo feitas corretamente no Senado. O Sarney pediu à (Fundação) Getúlio Vargas para fazer uma investigação e apresentar uma proposta de administração do Senado. O Sarney pediu para a Polícia Federal fiscalizar as denúncias de emprego. As coisas estão sendo feitas - comentou.

- Se cada pessoa renunciar quando alguém faz uma denúncia sem provas e antes de ser provado, o Brasil não vai ter (ninguém). Nós precisamos tomar muito cuidado, muito cuidado porque se cada vez que sair uma denúncia contra você a gente pedir para o jornal afastar você, não vai ter mais jornalista no cargo, não vai ter mais presidente do Senado, não vai ter mais ninguém no cargo. É preciso que a gente respeite apenas a seriedade (com que a crise vem sendo conduzida) - ressaltou Lula após participar de almoço em homenagem ao novo presidente da Embrapa, Pedro Arraes.

- Há 18 anos o Sarney tem a fundação dele. Tem denúncia, investiga. (Deve-se questionar se) A denúncia tem fundamentos? Tem. Apura-se. Apurou-se? Aí toma a atitude que quiser porque senão a gente fica criando crise desnecessária. O Senado só tem gente experiente. Você acha que tem algum bobo no Senado? O bobo é o que não foi eleito. Os espertos estão todos eleitos - declarou.

Ao comentar a crise no Senado, o presidente Lula disse que não poderia opinar sobre o que deveria ser feito, mas relatou um episódio em que o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, o ensinou que no Congresso não existia "bobo".

- Ele (Ulysses) disse que os que não sabem de nada são os suplentes. Ninguém é eleito à toa. Não sou senador. Não me perguntem o que o Senado vai fazer. Já tenho um trabalho imenso para tomar conta do governo. Como é que eu vou tomar conta do Senado? O Senado tem maioridade - declarou, lembrando que, enquanto não houver condenação, todas as pessoas devem ser tratadas como inocentes.

- Estou convencido de que todas as pessoas são inocentes até que se prove o contrário. Todas as denúncias são carecedoras de investigação. Se aprovada (a investigação), seja o presidente da República, o do Senado, o da Câmara ou o presidente do jornal que vocês trabalham, todos têm que ser punidos. Mais do que isso, o que eu posso falar? Eu não sou juiz, não tenho como punir as pessoas - disse Lula.

Ao defender Sarney, o presidente chegou a citar o caso do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que pediu demissão do cargo após ter sido acusado de receber propina da empreiteira Gautama para facilitar a entrada da construtora em projetos do governo federal.

- Haverá um dia em que o Brasil pedirá desculpas ao ministro Silas porque inventaram que ele tinha dinheiro dentro de um envelope. Ele não voltou ao governo apenas por cautela. Na medida em que a pessoa é indiciada, pelo bem da pessoa às vezes a própria pessoa pede para se afastar. Às vezes as pessoas pagam um preço muito pesado e quando no processo é inocentada não aparece nenhum vizinho para pedir desculpas à pessoa - avaliou o presidente Lula.