Líder do DEM critica escolha de presidente do Conselho de Ética

Alex Rodrigues, Agência Brasil

BRASÍLIA - A oposição criticou nesta quarta-feira a escolha de um pemedebista, o senador Paulo Duque (RJ), para presidir o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Para os senadores do Democratas (DEM), essa foi a forma encontrada pelo governo para proteger o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), da investigação de representações contra os dois, por quebra de decoro parlamentar.

O líder do DEM, José Agripino Maia, disse que, somente com o início dos trabalhos do colegiado, na primeira semana de agosto, será possível saber se Duque presidirá o conselho de forma isenta, respeitando o regimento interno do Senado.

- As atitudes dele no começo de agosto vão mostrar claramente se dá, ou não, para confiar na sua isenção. Acho que ele vai ter que entender que a opinião pública vai estar de olho em seu comportamento, já que homem público tem que prestar contas à sociedade e tem que ter compromisso com a ética - disse Maia.

O senador lembrou que os parlamentares de seu partido haviam acordado votar em Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), antes que este pedisse para deixar o conselho.

- Fiquei surpreso por ele [Valadares] renunciar não apenas à condição de candidato [à presidência do conselho], mas também a ser membro titular. Até ontem, o candidato [Duque] era alguém que transitava por todos [os partidos], incluindo os da oposição. Mais que esquisito, isso [a escolha de Duque] é suspeito - declarou Maia.

Maia ressaltou que Duque "é um homem cuja história inspira respeito", mas disse que a resistência de seu partido quanto à sua escolha para presidente do Conselho de Ética se deve, unicamente, ao fato do senador ter sido escolhido pela base do governo, com os votos dos governistas .