Coordenador de campanha de Yeda diz ter provas de defesa

Portal Terra

PORTOALEGRE - Lúcio Constantino, advogado do empresário e réu da Operação Rodin, Lair Ferst, afirmou nesta manhã que seu cliente possui provas, em especial áudios, para sua defesa. Constantino disse que o cliente usará essas provas apenas para sua defesa na Justiça, e não para criar novos "factoides políticos". O defensor não apresentou as supostas provas.

A Operação Rodin investiga uma fraude no Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS) que desviou cerca de R$ 44 milhões. Sobre a suposta delação premiada que o cliente teria acertado com o Ministério Público (MP) - e que envolveria denúncias de caixa dois e outras irregularidades do governo estadual - o advogado disse que não poderia confirmar nem negar a informação.

- Ele utilizará essas provas na medida da imperiosidade defensiva, apoiando-se no direito constitucional da ampla defesa e não por interesses publicitários ou políticos - afirmou Lair em manifestação lida pelo advogado. Constantino considerou essas provas fartas. - No interior do Rio Grande do Sul se chamaria de 'chumbo grosso' - disse.

De acordo com o advogado, esses áudios são conversas com duração de cerca de duas horas. Constantino não explicou quem é o protagonista dos diálogos e nem o motivo da gravação, mas afirmou que eles deverão repercutir "em alguém que tenha prerrogativa de função", sem se referir diretamente à governadora, deputados ou qualquer outra pessoa eleita. Essas provas estão, segundo o advogado, em lugar seguro.

Segundo reportagem do jornal Zero Hora, o empresário coordenador de campanha do PSDB em 2006 Lair Ferst, acusado de ser um dos líderes da fraude que desviou R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) um documento detalhando 20 supostas irregularidades que teriam sido cometidas na campanha e no início do governo de Yeda Crusius.

As denúncias teriam sido encaminhadas pelo procurador Alexandre Schneider ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por meio do ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669, de 16 de abril, onde consta um texto escrito por Lair Ferst.

Ferst teria confirmado a existência de caixa 2 na campanha da governadora. O dinheiro não contabilizado seria recebido por Marcelo Cavalcante, ex-assessor morto em fevereiro, e por Walna Meneses, assessora de Yeda. O marido da governadora, segundo o relato de Ferst, era avisado da chegada de doações e buscava o dinheiro no comitê.