MPF quer familiares nas buscas dos corpos do Araguaia

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) quer que autoridades civis e familiares das vítimas da guerrilha do Araguaia participem dos trabalhos de localização e identificação dos corpos enterrados na região, na década de 70, conforme requerimento encaminhado à juíza da 1ª Vara Federal de Brasília, Solange de Vasconcelos, pela procuradora da República Luciana Loureiro de Oliveira.

A petição tem por objetivo garantir o cumprimento da sentença judicial que obrigou a União a informar onde estão sepultados os corpos dos guerrilheiros, a entregar as ossadas às famílias e a prestar informações sobre todas as operações militares relacionadas à guerrilha, num prazo que termina no próximo domingo. Para o MPF, as escavações deveriam ser suspensas, até novo pronunciamento da juíza.

No requerimento, a procuradora da República afirma que as ações empreendidas pelas Forças Armadas, que consistirão no reconhecimento de áreas em trabalho de campo (escavações) e laboratório não são, na verdade, obrigações necessárias da sentença, ao contrário do que tem sido divulgado . E acrescenta: As escavações com base tão somente nas informações que ninguém conhece detidas pelo Exército muito provavelmente não terão eficácia se, antes, não forem 'intimados a prestar depoimento todos os agentes militares ainda vivos que tenham participado de quaisquer operações, independentemente dos cargos ocupados à época' (Como está na sentença judicial).