Satiagraha: Advogado reage dizendo que acusação justifica ilegalidade

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O procurador de Grandis arrolou ainda vinte testemunhas no caso, entre elas o presidente da Santos-Brasil, Wady Jasmim, e o ex-ministro Mangabeira Unger, que foi consultor do Opportunity nos EUA. Para o MPF, a nova denúncia não deve encerrar as investigações da Satiagraha . O MPF pede ainda a abertura de três novos inquéritos, um para aprofundar a participação de pessoas investigadas inicialmente e não denunciadas agora, como o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e Carlos Rodenburg (presidente do braço agropecuário do grupo), um segundo para apurar crimes financeiros na aquisição do controle acionário da BrT pela Oi e um terceiro investigaria evasão de divisas praticadas por cotistas brasileiros do Opportunity Fund, com sede nas Ilhas Cayman. O procurador não quis comentar sobre eventual pedido de prisão dos denunciados, alegando segredo de Justiça.

Defesa

O advogado Andrei Schmidt, que defende Dantas e o Opportunity, divulgou nota afirmando que a denúncia do MPF traz acusações infundadas e que ela é resultado da Operação Satiagraha .

A Operação Satiagraha é uma fraude. A denúncia foi apresentada para justificar a operação, as buscas e apreensões e as prisões ilegais , afirma o advogado, antes de acrescentar: não há qualquer envolvimento do Opportunity com o mensalão, conforme já reconhecido pelo Poder Judiciário. Fere o senso comum que o governo negue a existência do 'mensalão' e ao mesmo tempo, como ocorreu na CPI, acuse Daniel Dantas de estar envolvido com o esquema. O governo persegue Dantas e, conjuntamente, acusa-o de financiá-lo , diz a nota.

Os 14 denunciados pelo Ministério Público Federal são: Daniel Valente Dantas (controlador do grupo Opportunity, que já foi condenado à pena de 10 anos de prisão em processo de corrupção ativa pelo juiz Fausto De Sanctis), Verônica Valente Dantas (irmã de Daniel Dantas, sócia, diretora e conselheira de várias empresas do grupo e do banco, Dório Ferman (presidente do banco Opportunity), Itamar Benigno Filho, diretor do banco, Danielle Silbergleid Ninnio, ex-assessora jurídica da Brasil Telecom, Norberto Aguiar Tomaz, diretor do banco, Eduardo Penido Monteiro, diretor do banco, Rodrigo Bhering Andrade, diretor de empresas ligadas ao grupo, Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, conselheira de diversas empresas do grupo

A lista do Ministério Público Federal continua com Humberto José Rocha Braz, ex-diretor da Brasil Telecom e atual consultor do grupo Opportunity, Carla Cicco, ex-presidente da Brasil Telecom, Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, lobista do Opportunitty, Roberto Figueiredo do Amaral, lobista e consultor, e William Yu, consultor financeiro.

Segundo de Grandis, a pena mínima para o crime de formação de quadrilha é de um ano e máxima, de três anos. Para gestão fraudulenta, a mínima é de três anos e a máxima, de 12; para gestão temerária, a mínima de dois e máxima de oito anos; para evasão de divisas, mínima de dois e máxima de seis anos; e lavagem de dinheiro, mínima de três e máxima de dez anos.