Documento do MPF confirmaria denúncia de caixa 2 de Yeda

Portal Terra

PORTO ALEGRE - O empresário Lair Ferst, acusado de ser um dos líderes da fraude que desviou R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) um documento detalhando 20 supostas irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de 2006 e no início do governo de Yeda Crusius (PSDB). As informações são do jornal Zero Hora.

As denúncias teriam sido encaminhadas pelo procurador Alexandre Schneider ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por meio do ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669, de 16 de abril, onde consta um texto escrito por Lair Ferst.

Ferst teria confirmado a existência de caixa 2 na campanha da governadora. O dinheiro não contabilizado seria recebido por Marcelo Cavalcante, ex-assessor morto em fevereiro, e por Walna Meneses, assessora de Yeda. O marido da governadora, segundo o relato de Ferst, era avisado da chegada de doações e buscava o dinheiro no comitê.

Em outra denúncia, o empresário afirma que a SP Alimentação, fornecedora de merenda escolar para a prefeitura de Canoas e suspeita de envolvimento em fraudes no município, doou R$ 500 mil que foram utilizados no início da organização da campanha. Chico Fraga, então secretário de Governo de Canoas, teria entregue os valores no comitê.

De acordo com Zero Hora, Lair afirmou ainda ao MPF que a casa de Yeda foi comprada por R$ 1 milhão, e não por R$ 750 mil, como está no contrato, e que a diferença foi paga com caixa 2.

Desde o surgimento das primeiras denúncias, havia informações de que Ferst teria feito com o MPF um acordo de delação premiada, sob a promessa de contar o que sabia sobre as fraudes em troca de benefícios ou redução de pena. Inicialmente, o MPF havia negado o acordo.

Gravações divulgadas pela revista Veja em maio haviam apontado conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst. Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

Em fevereiro, representantes do Psol no Rio Grande do Sul levantaram nove suspeitas contra o governo Yeda. Os membros do partido não apresentaram provas, mas garantiram que áudios, vídeos e depoimentos, que estariam sendo analisados pelo Ministério Público Federal (MPF), apontariam que há uma "quadrilha" dentro do Palácio Piratini, que se utilizou de caixa 2 para chegar ao poder e que utiliza verbas públicas para satisfazer interesses particulares. A força-tarefa do MPF responsável pela Operação Rodin, que apurou as fraudes no Detran, no entanto, negou as informações.