Ibama fiscaliza acessórios de penas de animais silvestres em Parintins

Agência Brasil

BRASÍLIA - A utilização ilegal de peles, dentes e penas de animais silvestres transformou-se em alvo prioritário do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nesta última quinzena do mês de junho em Parintins.

Por causa do Festival Folclórico dos bois Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul), que acontece há 44 anos e, desde 2005, sempre no último fim de semana desse mesmo mês, o comércio de adereços e artesanatos indígenas se intensifica na cidade. Para confeccionar esses materiais, algumas famílias da região chegam a sacrificar a vida de animais, como tucanos e araras, para obter os itens naturais dos objetos que desejam produzir.

Em entrevista à Agência Brasil, a analista ambiental do Ibama e coordenadora a Operação Não Tire as Penas da Vida, Maria Luíza Souza, lamentou a procura de artefatos feitos com partes do corpo de animais silvestres. Para ela, os ribeirinhos e indígenas só fazem objetos com asas e bicos legítimos porque ainda existem turistas que ignoram os cuidados com a preservação da fauna e flora da Amazônia e desrespeitam a legislação ambiental.

"Sacrificar animais silvestres para fazer qualquer tipo de objeto é crime. Junto às comunidades, promovemos campanhas e orientações para impedir esse tipo de situação. Contudo, o turista também precisa se conscientizar e não pedir mais adereços feitos com penas e asas de animais silvestres. O indígena só continua fazendo isso porque tem turista que pede", ressaltou.

O trabalho de prevenção e repressão para impedir o comércio ilegal desse tipo de artefato é realizado pelo Ibama em Parintins há cerca de sete anos com as comunidades locais.

Este ano, a operação teve início no dia 2 e contou com um efetivo maior de servidores do órgão ambiental. Durante o Festival Folclórico, os agentes do Ibama abordam passageiros de barcos e aviões e orientam turistas para que não comprem artigos feitos de subprodutos oriundos da fauna silvestre e que podem ser identificados sem dificuldades, na avaliação da coordenadora.

"Geralmente quem vende esse tipo de coisa já diz ao comprador. A pena de animal silvestre é fácil de ser reconhecida porque, apesar de ter um colorido mais forte, não tem essas cores de forma homogênea. Além disso, ela é mais dura que a pena sintética."

Ainda segundo Maria Luíza, os moradores de Parintins estão cada vez mais conscientes dessa questão. Ela contou que, há alguns anos, até mesmo as agremiações dos bumbás Garantido e Caprichoso chegaram a ser multadas pela utilização desse tipo de material.

"Não temos mais nenhum problema com os bumbás quanto a isso porque eles usam só penas sintéticas. A população local também entendeu o recado. Infelizmente, isso não acontece com indígenas de tribos distintas, como Wai-wai e os Saterés, que vêm principalmente do Pará. Só na campanha deste ano, o Ibama já apreendeu milhares de itens, incluindo peças prontas e penas", lamentou.

Para reforçar as ações da operação, a Polícia Militar também participa das ações. A penalidade para quem pratica esse tipo de crime ambiental inclui o pagamento de multas que podem chegar a R$ 5 mil por espécie - e até reclusão de seis meses a um ano.