Novo contingente brasileiro vai substituir tropas no Haiti

Agência Brasil

BRASÍLIA - Os 1,2 mil militares brasileiros que integram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) vão ser substituídos por um novo grupo de fuzileiros e engenheiros militares.

Nesta quinta-feira, 48 fuzileiros seguiram para o Haiti, onde vão se reunir aos 115 infantes que viajaram na segunda-feira. Mais 1.037 militares deverão chegar ao país caribenho até o dia 9 de julho.

A pretexto de garantir a lei e a ordem e proporcionar a estabilização política do País, considerado o mais pobre do hemisfério ocidental, os militares recrutados pela 11ª Brigada de Infantaria Leve do Exército, com sede em Campinas (SP), passaram por um treinamento específico para o tipo de atividade que irão executar por, no máximo, sete meses.

Além de se prepararem para atuar em conflitos em ambientes urbanos, garantir a segurança de instalações militares ou civis e fazer a escolta de autoridades, os militares também foram capacitados a desenvolver atividades sociais que beneficiem o povo haitiano.

De acordo com Ribeiro, se for necessário, os brasileiros estão aptos a usar armas letais em conformidade com os procedimentos estabelecidos pela própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Há cinco anos o Brasil coordena as tropas da Minustah, com o aval da ONU, cujo conselho autorizou a presença de militares estrangeiros na antiga colônia francesa, arrasada por anos de guerra civil, instabilidade política e seguidos desastres naturais. Este é o 11º contingente a ser enviado ao país.

Voluntário a seguir com as tropas, o tenente-coronel Ribeiro diz que todos os seus companheiros que estiveram no Haiti voltaram chocados com a situação social haitiana.

- O pessoal fica muito chocado com a experiência em um país tão pobre, onde o nosso trabalho para manter a paz é muito importante, ajudando o país a se reorganizar - afirmou.

Questionado sobre a repercussão entre as tropas das críticas à presença militar estrangeira, o tenente-coronel se limitou a comentar que foi o próprio governo haitiano quem solicitou a ajuda internacional, que a ONU ainda entende ser necessária.

- O processo de paz local precisa ser consolidado e amadurecido e é isso que estamos vendo ocorrer com o Haiti - concluiu o militar.

Na terça-feira, a Cruz Vermelha divulgou o resultado de uma pesquisa realizada em oito países, entre eles o Haiti, onde 522 pessoas com mais de 18 anos foram ouvidas sobre o impacto da violência gerado por conflitos armados em suas vidas.

Segundo a organização humanitária, os haitianos não só contam com a ajuda política da comunidade internacional, como querem a intervenção estrangeira direta: 41% dos entrevistados querem ajuda na manutenção da paz, 33% pedem ajuda jurídica emergencial e 25% defendem a intervenção militar.