Discursos ampliam pressão por renúncia de Sarney

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O dia no Senado foi de discursos fortes contra a permanência do senador José Sarney na presidência da Casa. Como as denúncias continuaram a aparecer no noticiário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a pedir na tribuna do Senado o afastamento de Sarney para que corram sem sua influência as investigações sobre irregularidades envolvendo, entre outras coisas, a contratação de parentes seus.

A mais nova denúncia envolve o neto de Sarney e foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. A suspeita é a de que o esquema de empréstimo consignado para servidores do Senado inclui entre seus operadores José Adriano Sarney, neto do peemedebista. Segundo o jornal, de 2007 até hoje a empresa de José Adriano teve autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos com desconto na folha de pagamento.

Adriano Sarney é filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA). O neto do presidente do Senado disse, na reportagem, que sua empresa fatura por ano menos de R$ 5 milhões. De acordo com o jornal, José Adriano abriu a empresa quatro meses depois que o então diretor de Recursos Humanos da Casa, João Carlos Zoghbi, inaugurou assessoria para intermediar os contratos no escândalo que o afastou do cargo.

É bom que largue a presidência do Senado antes que a situação fique insustentável afirmou Simon, lembrando que a crise diz respeito a atos praticados pelo ex-diretor-geral, Agaciel Maia, alçado ao cargo por Sarney quando este assumiu a presidência pela primeira vez. Em aparte a Simon, o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), saiu em defesa do presidente do Senado. Heráclito ironizou Simon, dizendo que o próprio peemedebista era responsável pela atual crise do Senado por ter rejeitado sugestão de senadores para que se candidatasse a presidente da Casa.

Simon, no entanto, insistiu no afastamento e acrescentou que a saída de Sarney da presidência da Casa não representará reconhecimento de culpa.

Deve se afastar desse processo, para o bem dele, de sua família, de sua história e desse Senado. Não significará auto-culpa nem aceitar que é responsável. Será um ato de grandeza, um ato importante de quem para fazer isso por tranquilidade. Não é importante ter na presidência do Senado uma pessoa que não tenha nada a ver com essas coisas que aconteceram nos últimos anos? questionou. (Com agências)