Idosa recebe em casa ossada do marido morto há 28 anos em BH

Portal Terra

BELO HORIZONTE - No dia 2 de junho, a dona de casa Maria Soares Carvalho, 81 anos, moradora do bairro Indústrias, em Belo Horizonte, estava em casa quando um homem bateu à sua porta para entregar uma caixa. O entregador informou que dentro do pequeno baú estavam as cinzas do marido dela, Henrique Bento Alves, que morreu há 28 anos e havia sido enterrado no Cemitério Parque da Colina, na região oeste da capital mineira.

O genro de dona Maria, o empresário José Vicente Cordeiro, contou que ela ficou muito assustada 'porque não esperava pela encomenda', mas resolveu guardar a caixa até que um dos filhos a ajudasse a jogar as cinzas do marido num rio.

- Passaram alguns dias e ela resolveu abrir. Foi quando tomou um tremendo susto, porque na verdade não eram as cinzas. Dentro da caixa estavam os restos mortais, todos os ossos, do senhor Henrique, meu sogro -explicou.

A cova onde o marido de dona Maria ficou enterrado por quase três décadas pertencia a uma família que emprestou o espaço para o enterro dele na época. No último mês de maio, o proprietário do jazigo o vendeu e, para entregar o local vazio, retirou a ossada de Alves e a entregou à viúva.

Inconformada com a história, a filha de dona Maria, a instrutora de trânsito Sônia Fátima Carvalho, registrou um boletim de ocorrência na polícia. - A gente tomou um choque, impacto. A gente não espera ver cabeça, fêmur, dentro da caixinha. A primeira atitude que eu fiz foi fazer um BO porque, se a polícia pegasse a gente com a caixa nas costas, até a gente explicar de onde são esses ossos, de quem são, aí complicava a família também - afirmou.

Sônia contou que a mãe ficou com a saúde debilitada depois do episódio: 'Ela está fazendo uso de medicamentos, porque depois de 28 anos que enterrou o marido, os ossos deles vieram bater na porta. A caixa foi entregue como se entrega pra você uma pizza. Então a gente não deve fazer isso com ninguém', disse.

O assessor jurídico do Cemitério Parque da Colina, Alceu Fonseca, informou que a exumação e o translado dos restos mortais foram autorizados pelo titular da cova. A advogada da família, Shirley Teodoro, disse que os familiares pretendem entrar na Justiça com uma ação por danos morais. - O episódio pode ser encarado como crime previsto no Código Penal nos artigos 210 e 212, por profanação de sepultura e por desrespeito ao cadáver - afirmou.

Depois de toda a confusão, 15 dias após chegarem à casa, os restos mortais de Henrique Bento Alves foram novamente enterrados. O genro, José Vicente, conseguiu que a caixa fosse enterrada em uma sepultura do cemitério de São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte.