Crise no Senado: defesa diz que Zoghbi só cumpria ordens de Agaciel

Portal Terra

BRASÍLIA - Diante da declaração feita pelo chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado, Franklin Albuquerque Paes Landim, de que a não publicação de atos secretos do Senado era feita propositalmente e não por enganos do ex-diretor geral da Casa, Agaciel Maia, e do ex-diretor de recursos humanos, Carlos Zoghbi, o advogado que representa o último, Antônio Carlos Almeida, disse nesta sexta-feira que o ex-diretor só cumpria ordens da Agaciel.

Segundo o advogado, a posição de Zoghbi neste contexto é idêntica à de Landim. - A posição de Zoghbi é idêntica à deste senhor que deu a declaração para a Folha. Ele não tinha função de fazer publicações, ele não julgava o que seria ou não publicado, isso não era submetido a ele. Essa era uma função exclusiva de Agaciel, desde que ele assumiu o cargo, ele chamou para si essa responsabilidade. Os atos já entraram no sistema por determinação exclusiva de Agaciel, ele mandava para o departamento de recursos humanos uma determinação por escrito daquilo que ia ser publicado e do que não ia. Zoghbi não tinha como questionar isso, ele só cumpria ordens - disse o advogado.

A declaração feita pelo chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado foi vista como a confirmação da denúncia de corrupção na Casa. Na visão dos parlamentares, o fato do responsável pelas publicações dos atos ter dito que Agaciel e Zoghbi escondiam os atos de acordo com seus interesses agrava ainda mais a já conturbada crise do Senado.

Para o senador Tião Viana (PT-AC), a declaração faz com que o Senado enfrente seu pior momento de crise. Diante disso, Viana defende uma atitude enérgica de Sarney. - O fato é gravíssimo, se expôs uma conexão entre o que era uma suposição e a realidade. Somente uma atitude imediata e exemplar do presidente pode evitar que o Senado evite esse tipo de situação. O Senado vive o pior momento da crise estrutural da sua história - disse.

O senador José Nery (Psol-PA) concordou que a declaração agrava a crise do Senado. - Essa confirmação só agrava a situação, quando alguns tentaram dizer que tratava de esquecimento ou razão técnica, na verdade, agora nós temos certeza de que isso tratava-se de um processo deliberado. Era a não publicação para proteger interesses, para esconder decisões administrativas. Esta é a confirmação de ilegalidade, da falta de transparência, do verdadeiro acinte às nossas leis - disse.

Nery, que já havia dito ontem que o Psol poderia pedir o afastamento de Sarney e de membros da Mesa Diretora, hoje voltou a defender que se tome uma atitude de profunda apuração e não medidas pontuais.