Psol ameaça pedir afastamento de Sarney se não houver mudança

Marina Mello, Portal Terra

BRASÍLIA - O senador José Nery (Psol-PA) disse nesta quinta-feira que o partido poderá entrar com uma representação pedindo o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), caso nenhuma atitude seja tomada diante da crise de denúncias de irregularidades contra a Casa.

Segundo ele, se até a semana que vem não forem anunciadas medidas que realmente possam conter a crise e punir envolvidos em atos secretos e outras irregularidades, o Psol pode pedir afastamento de Sarney, de membros da mesa e de senadores supostamente envolvidos.

- Se a Mesa adiar, não hesitaremos tomar outras medidas. O Psol analisa a possibilidade desde o afastamento à representação, tendo em vista a quebra de decoro - disse.

- Vai depender exclusivamente das medidas que a mesa anunciar na próxima semana. Se a mesa não tomar as providências no sentido de realizar profunda investigação sobre as denúncias que envolvem o Senado, o Psol avalia a possibilidade de fazer representação contra membros da mesa e até outros senadores que, dentre os fatos denunciados, se identifique alguma responsabilidade.

A mesa se reúne na próxima terça-feira para tratar do assunto. Um grupo de senadores entregou à mesa diretora do Senado uma série de propostas com o intuito de moralizar a Casa. A lista de sugestões contou com a assinatura de 20 senadores de partidos como PT, PSDB, PDT, DEM e PSB e pede a demissão imediata do atual diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, além de toda a diretoria.

Segundo o grupo, a demissão da direção é essencial porque as denúncias relacionadas aos atos secretos afirmam que tudo teria ocorrido nos últimos 10 ou 15 anos, período em que foi mantida boa parte dos funcionários.

Sarney disse nesta quinta-feira que concorda com algumas das sugestões apresentadas. Após ter acesso à lista, o presidente se mostrou disposto a acatar o ponto que prevê uma auditoria externa para todos os contratos firmados pelo Senado.

Desde que Sarney assumiu a presidência do Senado, em fevereiro, vieram à tona diversas denúncias, como o pagamento de horas extras no período de recesso parlamentar e a publicação de atos secretos para a contratação de funcionários, entre eles parentes de Sarney.

Na terça-feira, o presidente da Casa rebateu as denúncias e afirmou que seu nome nunca foi citado em atos ilegais. Entretanto não apresentou medidas a serem tomadas para apurar as acusações ou punir os culpados.