Manifestantes da USP realizam protesto no centro da cidade

Vágner Magalhães, Portal Terra

SÃO PAULO - Cerca de mil pessoas entre estudantes, professores e funcionários da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizam um novo protesto contra a atuação da Polícia Militar (PM), durante manifestação da terça-feira passada, 9, que terminou com confronto entre a tropa de choque e estudantes. Além disso, os estudantes exigem a saída da Polícia do campus e o afastamento da reitora Suely Vilela.

Com flores nas mãos, os manifestantes planejam seguir, em passeata, até o Largo São Francisco, onde se localiza a tradicional faculdade de direito da USP, onde às 14h devem realizar um ato público em defesa da universidade livre e democrática.

A distribuição das flores é uma iniciativa da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) para simbolizar a intenção de realizar uma manifestação pacifica. Para tanto, a Adusp oferece 3 mil gérberas para os manifestantes.

Com motos, 220 policiais militares estão no local para escoltar a manifestação que interrompe quatro pistas da Avenida Paulista, nas proximidades do Parque Trianon, por volta das 13h50 desta quinta-feira. O trajeto seguirá pela Avenida Paulista no sentido Paraíso até a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, onde a passeata deve seguir em direção ao centro da cidade.

Primeira manifestação

Estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e homens da Polícia Militar entraram em confronto na entrada principal do campus da Cidade Universitária (zona Oeste da capital) por volta das 17h do dia 9 de junho.

De acordo com universitários, o confronto teria começado na rua principal da USP. Estudantes informaram que policiais presentes no campus foram provocados com gritos e palavras de ordem por manifestantes. Um grupo de policiais em motocicletas viram a cena e pediram reforço. A tropa da Força Tática, então, foi acionada.

Não é possível precisar se a ação da força tática ocorreu antes ou depois de agressões de alunos. No início do confronto, universitários jogavam pedras e garrafas na direção da PM. Em resposta, a tropa jogava bombas de efeito moral e disparou balas de borracha contra os manifestantes.

Reivindicações

A pauta de reivindicações pede a correção de salários em 16%, além da reposição das perdas com base na inflação dos últimos doze meses até abril último, e o pagamento de um valor fixo de R$ 200 para todos os trabalhadores, acertado em 2007 com a reitoria com base no aumento de arrecadação do governo, e que até hoje não foi incorporado aos salários Os manifestantes também pedem o fim de processos administrativos contra servidores e alunos que participaram de greves anteriores, a reabertura das negociações com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e a retirada da Polícia Militar do campus da USP, que permanecem na instituição para evitar que funcionários bloqueiem a entrada dos prédios.

A retomada do diálogo entre reitores e associações de docentes e funcionários está marcada para a próxima segunda-feira. As negociações estavam interrompidas por causa dos piquetes realizados em algumas unidades do campus Butantã da USP. Após o confronto com a PM, o Cruesp (entidade que representa os reitores) e o Fórum das Seis (entidade que aglomera associações e sindicatos de docentes e funcionários da USP, Unesp e Unicamp) optaram por voltar à mesa de discussão sobre as reivindicações da greve.

Os funcionários da USP estão em greve desde o dia 5 de maio. A presença da PM fortaleceu o movimento dos funcionários. Professores e estudantes decidiram aderir à greve no último dia 4. Entidades representantes de alunos e docentes da Unicamp aderiram ao movimento após o confronto com a polícia.

Com informações da Agência Brasil