Senado aprova proposta que limita gastos de câmaras municipais

Ivan Richard, Agência Brasil

BRASÍLIA - O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira à noite a proposta de emenda à Constituição (PEC) 47, a PEC dos vereadores, que diminui o percentual de gastos dos municípios com as câmaras de vereadores. A proposta estabelece que a receita tributária dos municípios deve variar entre 7%, para cidades com população de até 100 mil habitantes, e 3,5% para os municípios com mais de oito milhões de habitantes. Atualmente, os percentuais variam entre 8% e 5%, respectivamente.

Anteriormente, a Câmara havia aprovado a PEC dos vereadores, que previa aumento em mais de sete mil vereadores, mas limitava os gastos das câmaras municipais. Na votação da proposta no Senado, a matéria foi dividida e aprovado apenas o dispositivo que aumentava o número de vereadores, sem mexer na diminuição dos gastos das câmaras. Isso gerou um impasse entre as duas Casas.

Nesta quarta, com uma manobra regimental, que permitiu votar e aprovar a PEC em dois turno no mesmo dia, os senadores superaram as divergências com a Câmara e abriram a possibilidade para que os deputados retomem a votação de outra PEC, que aumenta o número de vereadores de 51.749 para 59.302.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) lembrou aos suplentes de vereador, que acompanhavam a votação da galeria da Casa, que a proposta que aumenta o número de vereadores está tramitando na Câmara e que a PEC aprovada no Senado apenas reduz o teto dos gastos das câmaras municipais.

O líder do PT, senador Aloízio Mercadante (PT-SP), também observou que o aumento do número de vereadores será julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelas próprias câmaras.

- Essa votação não dá a vocês o direito de ser vereador - disse Mercadante.

- Se a Câmara dos Deputados alterar a matéria, volta para cá. Se a Câmara aprovar, também não comemorem ainda, porque vai depender do Supremo [Tribunal Federal - STF] interpretar se a nova regra vale para a eleição passada ou para a próxima. Somente o Supremo pode interpretar o passado. A decisão de hoje está muito longe de resolver o problema criado pelo TSE - afirmou Mercadante.