Lei Seca: bares de bairro passam bem, enquanto outros amargam

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A operação Lei Seca não causou apenas a queda no número de acidentes. Caiu também o número de pedidos de tulipas e drinques nas mesas dos bares cariocas. Salvam-se os botecos de bairro, aqueles para onde se pode chegar a bordo de apenas um par de chinelos.

O dono do Bracarense, tradicional bar do Leblon, diz que a queda de consumo de álcool causado pela Operação Lei Seca foi imperceptível. Atribui essa estabilidade ao fato de o seu estabelecimento ser frequentado por moradores do bairro.

O Braca é um bar de bairro. São pessoas que moram nas imediações que vêm aqui. Foi imperceptível. Teve gente, apenas, que passou a beber um pouco mais cedo para fugir das blitzes. Apesar de vários deles já terem sido pegos. A Lapa, não. É cercada de ponta a ponta, afasta os clientes mesmo.

Segundo um dos sócios do Grupo Matriz, Daniel Koslinski, no começo das blitzes que verificavam o teor alcoolico dos motoristas, a queda chegou a atingir 30%. Mas, passado o susto, a coisa se estabilizou ali pelos 25%.

Eu mesmo já assoprei o bafômetro, e fui aprovado com louvor. Só tinha bebido um chope. Nos primeiros meses, na Lapa, o movimento chegou a cair 30%, mas estabilizou em 25% calcula Koslinski. Nas casas da Zona Sul, os efeitos da operação foram menos sentidos. As pessoas estão mais perto de casa. Chegou a uns 10%.

Para o brusco sumiço das bebidas alcoólicas das comandas de suas casas noturnas, Koslinski tem uma teoria. As pessoas não passam a beber menos ou deixar de beber para poder dirigir. Elas simplesmente deixam de ir, ou então vão a lugares que não exijam carro para vencer o trajeto.

A questão é que o cara deixa de ir. Ele não deixa de beber ou comer. Não sai de perto de casa analisa Daniel Koslinski.

Ele pensa: vou sair de casa e não vou poder beber? Vou gastar uma grana de táxi? Tem muita gente que não gosta de pegar táxi, garota sozinha, por exemplo. A proibição de fumar em recintos fechados também ajudou bastante.