Ministro garante que não cederá às pressões

Luciana Abade , Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Possibilitada pelo corte de créditos para os desmatadores, pela regulamentação da Lei de Crimes Ambientais e pelos acordos com o setor produtivo, a queda de 45% do desmatamento foi a vitória mais gloriosa do Ministério do Meio Ambiente no último ano, na opinião do titular da pasta, ministro Carlos Minc. Entre os acordos, o ministro destaca a moratória da soja feito com os principais produtores do grão para que não fosse mais comprada soja originada do desmatamento da Amazônia como um exemplo de parceria de sucesso entre governo e iniciativa privada pelo fim da devastação.

Fizemos há dois meses o balanço da moratória da soja - conta Minc. 96% de cumprimento. A soja deixou de ser problema para a Amazônia. É preciso comemorar.

Para o ministro, a criação do Plano de Mudanças Climáticas, que definiu prazos para que o país cumpra as metas de reduzir o desmatamento, mudou a imagem do Brasil no exterior, assim como a criação do Fundo Amazônia.

Agora, o país é constantemente elogiado nos fóruns internacionais, como fez o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki Moon em Poznan, na Polônia, durante 14ª reunião dos países signatários da Convenção do Clima. Não é pouca coisa gaba-se o ministro.

Apesar de todas as pressões, Minc garante que não vai afrouxar o licenciamento da BR-319, que liga Porto Velho a Manaus.

O Alfredo Nascimento (ministro dos Transportes) está desesperado porque ele tem um cálculo eleitoral alfineta Minc. Ele é candidato ao governo do Amazonas, mas o tempo de defesa da Amazônia não é o tempo eleitoral dele. Já sou contra a estrada. Se licenciar com os dez pontos que eu mesmo coloquei já me estrepo, imagina licenciar sem eles?

Segundo Minc, a ex-ministra Marina Silva exigiu a criação de um distrito ambiental para licenciar a BR-163. Mas, como a criação foi no papel, o distrito nunca foi implantado e triplicou o desmatamento na região.

Meu desafio era destravar os licenciamentos sem ser um carimbador maluco afirma o ministro. Aumentamos em 60% as licenças, mas com o dobro de rigor.

O ministro também garante que não haverá plantação de cana-de-açúcar na Bacia do Alto Paraguai, no Pantanal. Tanto essa decisão quanto a de não afrouxar o licencimento da BR-163 são, segundo o ministro, respaldadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, aos que apostam em sua desistência frente às pressões, manda um recado:

Vou permanecer. Vou resistir. Tenho o apoio do Lula e acabei de fazer uma aliança histórica com a a agricultura familiar. Estou animadíssimo e tenho certeza de que conseguiremos grandes vitórias.