Estudantes acusam seguranças de agressão na UFMT

Juliana Michaela, Portal Terra

CUIABÁ - Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) acusaram seguranças terceirizados do campus de agredi-los e espancá-los na madrugada da última quarta-feira. Nesta sexta-feira, eles concederam entrevista coletiva no Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição de ensino. O estudante de Filosofia da UFMT João Batista Alves dos Santos registrou boletim de ocorrência na Base Comunitária da Policia Militar do bairro Boa Esperança, situado ao lado do campus. Também foi aberta pela instituição uma comissão de sindicância para apurar o caso.

A estudante de mestrado em Engenharia Florestal Flora Ferreira Camargo, 24 anos, contou que participa de uma pesquisa sobre sementes e ficou no bloco da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (Famev) até as 4h30 da manhã, juntamente com outro colega, Leonardo. Ela disse que tem permissão para utilizar o laboratório até esse horário e que após terminar as pesquisas daquele dia resolveram ir embora.

Segundo Flora, ela e o colega pediram para dois seguranças abrirem um portão que dá acesso a um ponto de ônibus. Lá, encontraram um estudante de História, identificado como Eudézio, que estava alcoolizado e também queria sair pelo local.

- Ele começou a dizer aos seguranças que eles não eram policiais, que eram terceirizados. Chamou os seguranças de idiotas e a partir desse momento começou uma discussão entre os seguranças e o aluno. Depois apareceu mais outros dois seguranças e começaram a bater nele com socos e pontapés. Eu e o Leonardo fomos embora para pedir socorro para o Eudézio - contou Flora Camargo.

Na mesma noite, houve um outro incidente envolvendo alunos da universidade. O estudante de Filsofia João Batista Alves dos Santos, 27 anos, o estudante Miguel de Ciências Social e a estudante Eliete Borges Lopes, mestranda de Educação saíram por volta das 5h de um bar situado no bairro Boa Esperança, ao lado da UFMT e decidiram ficar esperando na entrada da pista de caminhada, na avenida Fernando Correa, próximo de um bosque até os ônibus começassem a circular.

- Estávamos sentados no chão, quando 15 minutos depois cinco homens armados vestindo uniformes da empresa de segurança chegaram gritando, mandando a gente colocar a mão da cabeça. Eu e a Eliete nos levantamos, mas o Miguel que estava deitado no chão não conseguiu se levantar e a polícia começou a chutá-lo - disse.

- Eu pedi para ele não bater no meu amigo e levei um golpe no pescoço. Depois disso perguntei por que ele estava batendo na gente, e ele me deu um soco na parte esquerda do rosto. Eles não paravam de bater e quando resolvemos ir embora com os gritos 'vaza vagabundo'. Quando estávamos a uma certa altura de distância, um dos seguranças pegou a arma e atirou em nossa direção. Vimos uma viatura da PM, pedimos auxilio e nos disseram para deixarmos isso quieto - contou o estudante de filosofia.

João Santos destacou que ainda tentaram voltar para o lugar porque ele tinha perdido os óculos, mas novamente as agressões teriam voltado a ocorrer. Quando os ônibus começaram a circular, os estudantes teriam tentado pegar um coletivo dentro do campus, mas teriam sido impedidos pelos seguranças. Santos registrou um boletim de ocorrência e pretende comunicar o Ministério Público.

O pró-reitor de Cultura, Extensão e Vivência da Universidade Federal de Mato Grosso, Fabricio Carvalho, confirmou que foi feito um boletim de ocorrência e que ele estava presente para acompanhar os estudantes. Além disso, foram tomadas todas as medidas necessárias de registro na Policia Civil.

- A UFMT montou um comissão de sindicância para apurar esses dois fatos. Estou acompanhando pessoalmente para saber se houve exagero de qualquer parte envolvida. Preventivamente o responsável pelo turno noturno daquele dia foi afastado temporariamente para se ter total lisura do processo - destacou Fabricio Carvalho.

Para o pró-reitor, a atitude dos seguranças pode ter ocorrido porque, no mês de abril, houve uma ação violenta em que um segurança foi baleado e morto, e outro levou um tiro na boca, num assalto dentro de campus. Quinze dias depois, um seguranças foi recebido a tiros por um grupo de jovens que estava na pista de caminhada.

- Os que mataram o segurança, e atiraram contra o outro, com certeza não eram estudantes da universidade. Mas, mediante a esses fatos, eles (seguranças) estão mais severos na abordagem aos estranhos na madrugada dentro do campus da UFMT. Até porque não é comum andar de madrugada dentro do campus alcoolizado - disse Carvalho.

A reportagem procurou os funcionários da empresa MJB Segurança, na Coordenação de Segurança no Campus Cuiabá, mas eles não estavam autorizados para falar sobre o assunto. A empresa foi procurada para comentar o episódio, mas ninguém foi localizado.