"Foi um tsunami", diz governador sobre barragem rompida no Piauí

Yala Sena, Portal Terra

TERESINA - Ao sobrevoar a área que foi alagada depois do rompimento da barragem Algodões I, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que "foi um verdadeiro tsunami" que atingiu a cidade de Cocal, no norte do Estado. Segundo a assessoria do governo, uma menina de 12 anos morreu e pelo menos 100 pessoas estão desaparecidas depois do rompimento. Mais duas mortes foram confirmadas nesta tarde de quinta-feira.

- Eu vi algo assustador. Na verdade, foi uma lâmina de água de 20 metros de altura, equivalente a um prédio de três andares, que rompeu. Vi geladeira em cima de árvores, casas que foram reviradas, telhados para baixo e paredes para cima. Um rastro de destruição. Animais, cavalos, galinhas, todos mortos. Uma cena terrível - disse o governador.

Segundo a assessoria do governo, a menina era moradora da zona rural de Cocal, às margens do rio Pirangi. A água atingiu também a cidade de Buriti dos Lopes, mas os danos maiores foram evitados porque houve tempo hábil para retirar as famílias das áreas de risco. A estimativa da Defesa Civil é de que 500 famílias tenham perdido suas casas.

A assessoria informou que a barragem passava por uma reforma no momento do rompimento. Estava em construção o reforço da parede externa. A água, segundo a assessoria, provocou uma fenda de 50 m na parede, o que ocasionou o rompimento.

Sobre a crítica dos adversários de que a tragédia foi anunciada, o governador reagiu afirmando que "não é Deus" e que tomaria a mesma decisão de retornar as famílias. Wellington Dias foi atacado já que uma semana esteve na cidade com um engenheiro e destacou a possibilidade de rompimento.

- Eu tomaria a mesma decisão com base na informação que tinha. Creio em Deus, mas não sou Deus. Quem quiser fazer acusação, denúncia, processo, tem o direito que lhe cabe. Mas minha prioridade é socorrer as famílias - disse o governador, que determinou a realização de um estudo para precisar as causas do acidente. Foram despejados 40 milhões de metros cúbicos de água com a abertura repentina do canal.

Na manhã desta quinta-feira, voltou a chover na cidade, o que causou pânico entre os moradores. O governo afirmou que não há risco de nova "avalanche de água" já que o reservatório está vazio.

Uma mulher grávida de nove meses foi encontrada pedindo socorro com dilatação do útero. Ela foi socorrida pelos Bombeiros e levada ao hospital da cidade.

Pela manhã, na localidade Franco, a mais próxima da barragem, três pessoas dadas como desaparecidas foram localizadas nas matas das imediações e resgatadas. Segundo o governador, pelo menos outras 300 pessoas foram resgatadas desde a noite de quarta-feira.

Com informações da Agência Brasil.