Sem comando na CPI, oposição vai apresentar "CPI paralela" para o MP

Ivan Richard, Agência Brasil

BRASÍLIA - Preterida do comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras no Senado e com ampla desvantagem numérica na comissão (três senadores contra oito da base governista), a oposição anunciou nesta quarta-feira que pretende elaborar uma espécie de relatório paralelo para ser apresentado ao final dos trabalhos. Segundo o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), outra alternativa será remeter indícios de irregularidades ao Ministério Público Federal (MPF).

- Vamos trabalhar com a criatividade que se exige em circunstâncias como essa e a estratégia de levar as denúncias a sério. Com base nos indícios comprometedores, vamos propor ao MPF a investigação judiciária - afirmou Dias, que será um dos representantes do PSDB na CPI.

- Temos o papel da investigação política e o MPF tem a judiciária. Uma complementa a outra - disse.

Já prevendo que a base de sustentação do governo na comissão rejeitará alguns requerimentos de convocação de autoridades e também de pedidos de quebra de sigilos, Álvaro Dias disse que a oposição trabalhará mesmo que de forma limitada , com documentos de outros órgãos, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Polícia Federal.

- Esses documentos não serão negados. Mesmo que a maioria rejeite requerimentos, teremos acesso a esses documentos - reforçou Dias.

- Não poderemos, provavelmente, quebrar sigilos bancários, fiscais e telefônicos e isso retardará o processo investigatório. Mas a primeira parte dos requerimentos podemos cumprir gerando as consequências jurídicas que são indispensáveis para uma CPI - ressaltou.

- Portanto, teremos um trabalho limitado pela imposição da maioria. Mas temos um espaço que nos permite acreditar na possibilidade de apresentar um resultado positivo - avaliou o tucano.