Tarso diz que não há grupos terroristas que atuem no Brasil

Agência Brasil

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, garantiu nesta terça-feira que não há grupos terroristas atuando no Brasil. Notícia publicada no jornal Folha de S.Paulo informou que a Polícia Federal (PF) prendeu, em São Paulo, um estrangeiro que teria ligações com a organização Al-Qaeda.

Segundo o ministro, a Polícia Federal não tem inquérito sobre ação de grupo terrorista ou da Al-Qaeda no País. Tarso afirmou que o estrangeiro foi preso por crime de racismo na internet, mas não divulgou sua nacionalidade, nem deu detalhes da investigação, que corre em sigilo de Justiça.

- Aqui no Brasil não tem nenhuma célula de atividade terrorista de qualquer tipo de organização. Temos controle muito forte sobre isso em todas as regiões do País em que possa existir algum tipo de suspeita - disse o ministro, depois de reunião com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

- Se esse cidadão tem ou não relações políticas, ideológicas com países ou com redes de opinião no mundo, isso para nós não é uma questão institucional ou legal.

Em nota, a Polícia Federal informou que prendeu o estrangeiro, residente no Brasil, no dia 26 de abril, por divulgação de mensagens racistas na internet em uma rede de relacionamento com pessoas de vários países. O homem foi indiciado por crime de racismo. A PF informou que não comentará o caso.

O Ministério Público Federal em São Paulo informou que não há prova de ligação do estrangeiro, de origem árabe, com a Al-Qaeda.

- A Polícia Federal, até o momento, não apresentou nenhum laudo que comprove a existência de conteúdo criptografado no computador do investigado e não foi comprovado que o homem preso em São Paulo é membro de qualquer organização terrorista - diz nota do MPF.

Ainda segundo o ministério, a polícia brasileira recebeu informações do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, sobre grupo na internet que divulga mensagens antiamericanas em idioma árabe, sendo que algumas foram enviadas do Brasil. A Justiça, então, autorizou a quebra do sigilo do investigado e, depois, sua prisão preventiva.

A investigação descobriu que as mensagens eram postadas com aval do estrangeiro e levantou-se a hipótese de que ele poderia ter contatos com organizações terroristas, porém sem comprovação, segundo o Ministério Público.

- A investigação apontou que o fórum era organizado e possuía estatuto e que nada era publicado sem autorização do homem preso. Entretanto, não há indício de que esse grupo integre ou tenha praticado qualquer ato de uma organização terrorista - continua a nota do ministério.

Conforme o MPF, a Polícia Federal encaminhou ao FBI dados da operação para "fins de inteligência".