MPF: investigação não comprova participação de preso em SP no Al Qaeda

Agência Brasil

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal (MPF) informou na noite de hoje (26) que investigações da Polícia Federal não comprovaram que um homem preso em São Paulo pertença à organização terrorista Al Qaeda.

De acordo com a procuradora da República Ana Letícia Absy, responsável pelo inquérito, a Polícia Federal recebeu informações do FBI (Federal Bureau of Investigation) a polícia federal americana sobre a existência de um fórum fechado da internet, publicado em língua árabe, com mensagens discriminatórias e anti-americanas, e tinha a informação de que parte dos conteúdos eram postados a partir do Brasil.

"Entretanto, até o momento, o FBI não apresentou nenhum laudo que comprove a existência de conteúdo criptografado no computador do investigado e não foi comprovado que o homem preso em São Paulo é membro de qualquer organização terrorista", disse, em nota, a procuradora. Ela afirmou ainda que não há indício de que esse grupo integre ou tenha praticado qualquer ato de uma organização terrorista. Não foram apreendidas armas, documentos secretos ou planos.

O homem chegou a ser preso na PF por 21 dias em razão do teor das mensagens trocadas no fórum da internet. Após esse período, foi libertado por decisão da 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo, porque "já não atendia mais os pressupostos legais para uma prisão preventiva. Foi consignado que o investigado vive em situação regular no país, com comércio e residência fixos em São Paulo, não possuindo pendência imigratória", informou o MPF na nota.

De acordo com a procuradora, as mensagens de incitação à violência, ódio a americanos e intolerância religiosa do fórum continuam sob análise do Ministério Público Federal, "de forma serena, em busca da verdade real dos fatos e da correta aplicação dos pressupostos de um Estado Democrático de Direito".