Base desiste de urgência e reforma política fica para 2011

Keila Santana, Portal Terra

BRASÍLIA - Os partidos da base aliada do governo desistiram de apresentar no Plenário da Câmara um pedido de urgência para incluir na pauta os projetos da reforma política e eleitoral no País. A resistência dos partidos pequenos foi determinante para o adiamento das discussões. Ficará para os novos deputados eleitos em 2010 a missão de votar entre março e novembro de 2011 uma emenda constitucional para mudar as regras do jogo político.

O líder do PR, deputado Sandro Mabel (GO), disse que a proposta de lista fechada - sistema em que o eleitor vota na legenda e não no candidato - é um dos grandes obstáculos para se chegar a um consenso sobre reforma política. "A lista fechada é um tiro na democracia que não podemos dar. Não podemos ser 513 deputados biônicos. O sistema impede a entrada de novas lideranças", explicou Mabel.

Os dez partidos que compõem a base do governo na Câmara vão continuar discutindo o que pode ser aceito pela maioria. Votações sobre reforma política ou eleitoral ainda em 2009 só deverão ocorrer para projetos de menor impacto, como a fidelidade partidária, já regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) disse que não está descartada a votação de outros projetos que atualizem a legislação eleitoral. "O fato é que uma reforma profunda só pode ser feita por meio de revisão constitucional em 2011", disse o deputado.

Partidos como o PT e PMDB tiveram que ceder e recuar na negociação para a reforma política. Sem o apoio das demais siglas da base governista, não seria possível avançar nos pontos chave da reforma, como o financiamento público de campanha e a lista fechada para as eleições proporcionais. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), admite que foi preciso abrir mão agora para não atrapalhar os trabalhos na Casa.

"A gente não quer parar a Câmara, não queremos uma reforma aprovada por quatro ou cinco votos de diferença. Queremos algo consensual", afirma o peemedebista. O líder do PTB, deputado Jovair Arantes (PTB-GO) afirmou que o partido dele junto aos líderes do PR, PP, PDT, PTB, PSC, PMN e PRB poderiam impedir a votação de qualquer proposta na Câmara.