IBGE: Permanecem desigualdades de raça no mercado de trabalho

Alana Gandra, Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que, apesar dos avanços registrados nos últimos anos em termos de emprego, permanecem as desigualdades entre os grupamentos de pretos e pardos, e brancos. O instituto fez um comparativo dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego de março de 2009 com a pesquisa de março de 2003, com relação às questões de ocupação, escolaridade e rendimento.

A economista Adriana Beringuy, da Gerência da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, disse à Agência Brasil que os dois grupos de cor ou raça - sendo pretos e pardos um dos grupos e brancos o outro grupo - têm obtido avanços em termos de crescimento da renda e redução do desemprego, mas de maneira desigual.

- Só que o patamar que os brancos atingem é maior do que aquele conseguido pelos pretos ou pardos.

Segundo ela, há uma tendência de melhoria para todos no mercado, mas a intensidade dessa melhoria ainda não é suficiente para reduzir as desigualdades.

Em relação ao rendimento, ocorreu expansão para os dois grupos, entre 2003 e 2009.

- Só que ainda assim, o rendimento dos trabalhadores pretos e pardos equivale à metade do rendimento percebido pelos brancos. E, com o rendimento mais baixo, você tem mais impedimentos para que essa população possa transpor barreiras econômicas e sociais que acabam levando a esse ciclo vicioso. Ele tem menos renda, menos escolaridade - avaliou a economista.

Em decorrência disso, pretos e pardos têm menos acesso a postos de trabalho com melhor remuneração. E, embora haja uma melhoria da renda da sociedade como um todo, os pretos e pardos ficam em desvantagem em relação aos brancos, afirmou a economista.

A renda média real dos pretos e pardos cresceu de R$ 690,3 para R$ 847,7 no período, enquanto a dos brancos subiu de R$ 1.443,3 para R$ 1.663,9. Adriana Beringy observou que, no entanto, na comparação de março de 2009 com março de 2003, o rendimento médio de pretos e pardos aumentou 22%, enquanto a renda média dos brancos evoluiu 15%.

- Ou seja, em termos de ganho de rendimento, pretos e pardos tiveram um percentual maior do que o alcançado pelos brancos.

O ganho, apesar disso, não contribuiu para diminuir a diferença e o valor absoluto do salário de pretos e pardos, no período, é metade do valor do salário de brancos.

Há análises também sobre o percentual daqueles que estão no mercado de trabalho. Enquanto a população em idade ativa (PIA) de pretos e pardos aumentou de 42% para 45,3% de março de 2003 para março de 2009, a PIA de brancos diminuiu de 56,9% para 53,9%. Já a população desocupada de pretos e pardos atingiu 50,5% este ano, contra uma redução dos desocupados brancos, de 49,8% para 49%. A taxa de desocupação de pretos e pardos caiu no período de 14,4% para 10,1%. No grupo dos brancos, também houve redução, de 10,6% para 8,2%.

Entre os grupamentos de atividade, a pesquisa mostra que o percentual de trabalhadores pretos e pardos nos serviços domésticos passou de 59,1%, em 2003, para 61,6%, em março de 2009. Do mesmo modo, houve expansão dos trabalhadores pretos e pardos na construção civil: de 52,6% para 59,6%. Entre os brancos, o contingente de trabalhadores domésticos e na construção caiu, respectivamente, de 40,6% para 38,1% e de 46,9% para 39,9%, no período analisado.

O IBGE já vinha notando há algum tempo a progressão de pretos e pardos. Em pesquisa recente sobre o trabalhador por conta própria, o instituto verificou que, na maioria das vezes, esse trabalhador está no serviço ambulante ou na construção civil.

- A gente constatou agora, no estudo de cor ou raça, um predomínio da população de trabalhadores pretos ou pardos nos serviços domésticos, como também na construção - disse Adriana.

Segundo a economista do IBGE, o fato do grau de escolaridade exigido não ser alto para o desempenho dessas atividades faz com que essa população, que, em sua maioria, tem menos tempo de escola, seja absorvida por esses setores.

- E quando a gente associa isso à cor ou raça, percebe que aqueles menos escolarizados estão na população preta ou parda.

De acordo com o estudo, a escolaridade média de brancos subiu de 8,3 anos para 9,1 anos, enquanto a dos pretos e pardos evoluiu de 6,7 anos para 7,6 anos, entre 2003 e 2009.