OAB diz que vai pedir áudio que comprovaria caixa 2 de Yeda

Portal Terra

PORTO ALEGRE - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deve requerer nesta segunda-feira ao Ministério Público Federal (MPF) a divulgação das gravações que comprovariam o uso de caixa dois na campanha da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). Segundo o presidente da seção gaúcha da OAB, Cláudio Lamachia, o MPF deve esclarecer a existência e o conteúdo das gravações. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A gravação foi divulgada pela revista Veja e contém uma conversa entre o ex-assessor do governo do Estado Marcelo Cavalcante, que morreu em fevereiro, e o empresário Lair Ferst. No áudio, o ex-assessor diz que as empresas fabricantes de cigarro Alliance One e CTA Continental doaram, cada uma, R$ 200 mil em espécie, que foram entregues ao marido de Yeda, Carlos Crusius.

No sábado, em entrevista, Yeda negou a existência de caixa dois e negou também que Carlos Crusius tenha recebido o dinheiro das empresas. A Alliance One afirmou à Veja que a doação de R$ 200 mil foi legal. A CTA Continental disse que não doou dinheiro para a campanha da governadora.

Segundo a revista, Cavalcante ainda afirmou que a governadora sabia do suposto esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O ex-assessor diz, na gravação, que entregou uma carta de oito páginas na qual o empresário Lair Ferst descreveria como funcionava o esquema que desviaria recursos. A carta foi entregue para que Ferst tentasse se livrar da suspeita de participação no esquema.

Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran.

A Veja afirmou que teve acesso ao áudio há 40 dias, mas divulgou o conteúdo apenas após Magda reconhecer o teor como verdadeiro. Segundo a revista, a ex-companheira de Cavalcante afirmou que o ex-assessor reconhecia o conteúdo da gravação e que ele já havia relatado os fatos para a mulher.

Segundo Magda, Ferst afirmou que entregaria as gravações às autoridades para provar que o esquema do Detran era mantido por integrantes do governo Yeda, e não por ele. Magda disse à revista que a afirmação fez Cavalcante se desesperar e o levou à depressão.

Perguntada sobre o que pode ter levado a ex-companheira de Cavalcante, Magda Koegnikan, a fazer as declarações à revista, Yeda afirmou: "acho que é uma maneira de ela se salvar, quem sabe. Sobre ela recaem muitas suposições, muitas acusações. Eu não considero uma pessoa qualificada para falar sobre o governo do Estado do Rio Grande do Sul".

- Não considero a declaração dessa moça, não posso considerar. Qual é a versão que ela está criando? Para se livrar de uma das hipóteses do Marcelo que é suicídio induzido - afirmou Yeda. - Ela está falando como se tivesse ouvido de uma pessoa que não pode mais falar. O Marcelo está morto - ressaltou.

De acordo com apuração do Ministério Público Federal (MPF), pelo menos R$ 40 milhões teriam sido desviados do Detran em um esquema que teria começado em 2003 e se estendido até novembro de 2007. Em fevereiro deste ano, o Psol levantou uma suspeita de que a governadora teria negociado a repartição do dinheiro oriundo do Detran. Apesar de não apresentar provas, o partido garantiu que o MPF tinha áudios, vídeos e depoimentos que comprovariam a suspeita. Na ocasião, o MPF negou as informações.