Múcio minimiza pressão contra demissões na Infraero

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, minimizou nesta segunda-feira a possibilidade de deputados e senadores pressionarem contra as demissões de cargos políticos na Infraero. Apesar de confirmar que os congressistas têm cobrado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, explicações sobre a proposta de retirar da estatal aeroportuária todos os funcionários nomeados por vinculações com políticos, Múcio disse acreditar que os parlamentares não irão misturar as demissões de seus parentes com a pauta prioritária de votações na Casa.

- Não houve intenção de se prejudicar A ou B. O Congresso é responsável, tem mostrado que tem responsabilidade, (...) sabe distinguir questões pessoais da pauta do governo - disse o ministro após participar da reunião semanal de Coordenação Política.

Para o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, o governo "não tem perspectiva" de reverter a demissão da maior parte dos funcionários nomeados por vinculações com políticos.

- É fato consumado - disse.

A decisão de exonerar os apadrinhados políticos na estatal já havia sido discutida previamente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ao todo 98 devem perder os cargos conseguidos por meio de indicação política.

Desde a exoneração do então presidente da Infraero, Sergio Gaudenzi, por manter postura contrária aos estudos de uma eventual privatização da empresa, o governo decidiu colocar no posto uma pessoa que poderia seguir à risca os preceitos de "moralização" da estatal sem sofrer desgastes políticos por isso. Gaudenzi, que era vinculado ao PSB, foi substituído pelo brigadeiro Cleonilson Nicácio, um militar.