Ministro diz que Battisti não deve temer prisões italianas

Portal Terra

BRASÍLIA - O ministro da Justiça da Itália, Angelino Alfano, disse nesta segunda-feira que o ex-ativista Cesare Battisti, preso no Brasil desde 2007, não pode escolher se vai ou não voltar para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios ocorridos no final da década de 1970. Alfano também garantiu que Battisti não tem o que temer nas prisões de seu país. As informações são da Agência Ansa.

- Não acredito que seja uma questão de livre escolha de Battisti vir ou não para a Itália - sustentou Alfano.

Desta forma, o ministro se referiu às afirmações feitas por Battisti à rede de TV franco-alemã Arte. Na entrevista, o ex-militante da organização Proletários Armados do Comunismo (PAC) afirmou que prefere morrer a voltar para a Itália.

Battisti voltou a alegar inocência e confessou ter medo de ser extraditado, como reivindica a Itália. Ele afirmou que sua vida estaria em risco caso retornasse.

- Não vou para a Itália, não chegarei vivo. Tenho medo demais. Existem coisas que podemos escolher, como o momento da própria morte - argumentou.

Para Alfano, no entanto, assim como "milhares de cidadãos italianos, Battisti foi condenado por nossos tribunais, que são expressão da nossa democracia".

- Não há motivos para ter medo, porque as nossas prisões são seguras. São lugares onde os direitos individuais dos cidadãos são respeitados - enfatizou.

Mais cedo, o ministro de Defesa da Itália, Ignazio La Russa, já havia qualificado as declarações de Battisti como uma "desfaçatez sem limites".

- Se ele de fato pensa em se suicidar, deveria ter refletido sobre isso depois de cometer os quatro homicídios - declarou o ministro.

O chanceler Franco Frattini, por sua vez, afirmou que seu país não dará "sinais de indulgência ou anistia para os terroristas, em particular no caso de Cesare Battisti".

Desde janeiro, o ex-ativista vive no Brasil sob o status de refugiado político, concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se ele poderá permanecer no Brasil ou se será extraditado.