Mangabeira Unger defende revolução no país a partir da agricultura

Agência Brasil

MEDIANEIRA, PARANÁ - O secretário de Assuntos Estratégicos, ministro Mangabeira Unger, disse nesta segunda-feira que a grande revolução possível no Brasil atualmente é o uso dos poderes e recursos do Estado para instrumentalizar a energia inovadora da população. Para ele, a agricultura é o terreno mais fértil para iniciar essa revolução.

- A característica mais importante do Brasil é que ele fervilha de vitalidade empreendedora e criativa, mas se meteu numa camisa de força de instituições, de práticas e de ideias que suprimem essa vitalidade, em vez de instrumentalizá-la - afirmou o ministro. Segundo ele, para usufruir dessa qualidade é preciso inovar também nas instituições políticas e econômicas.

- A agricultura é a área mais importante, e vamos começar a obra por essa parte.

Dentro da agricultura, Mangabeira Unger considera o cooperativismo o melhor caminho a ser seguido. Para colher informações e exemplos de boas experiências, ele e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, visitam, nesta segunda-feira e nesta terça, cooperativas rurais no estado do Paraná.

Mangabeira Unger também quer saber quais são os problemas que o setor enfrenta.

- O Brasil tem um interesse estratégico em que essa experiência exemplar do cooperativismo agrícola supere seus problemas e possa ajudar a apontar o caminho para o país - disse Mangabeira. Para ele, a iniciativa torna-se ainda mais importante no contexto da crise mundial.

Ao visitar a Cooperativa Lar, no município de Medianeira, o ministro disse que o país poderá alcançar um lugar proeminente no mundo , se definir seu caminho corretamente. Medianeira é a primeira das quatro cidades paranaenses que Mangabeira e Stephanes vão visitar até amanhã.

Nesta segunda-feira, o setor recebeu a boa notícia da publicação, no Diário Oficial da União, da portaria que repassa recursos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para acertar a situação de financiamentos concedidos a agroindústrias, indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas e a cooperativas agropecuárias.

O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, disse que o volume de recursos é muito bom , mas destacou que, quando os produtores e cooperativas procuram os bancos, são orientados para aguardar o empréstimo mais um pouco, devido ao período de crise.