Battisti diz que prefere morrer a voltar para a Itália

Agência ANSA

BRASÍLIA - O ex-ativista italiano Cesare Battisti, atualmente no Brasil, onde espera decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre seu pedido de refúgio político, declarou que prefere morrer a voltar para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios.

Entrevistado pela televisão franco-alemã Arte na prisão de Papuda, no Distrito Federal, onde espera a decisão do STF, Battisti reiterou ser inocente e disse ter medo de retornar ao seu país de origem.

- Não vou para a Itália, não chegarei vivo na Itália, tenho medo demais. Existem coisas que ainda podemos escolher, como o momento da própria morte - afirmou.

Battisti explicou que não pretende deixar que 'a injustiça do governo italiano' tenha o direito de 'escolher a sua morte'.

O ex-militante, que atuou no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) na década de 70, disse que vive 'muito mal' na prisão próxima a Brasília e afirmou mais uma vez que é inocente.

- Depois de trinta anos, me colocam na prisão por crimes que não cometi. Nunca matei, mas fiz parte de uma organização armada, participei de roubos, era um militante qualquer e me fizeram virar um monstro, um assassino - lamentou.

A entrevista de Battisti será transmitida pela rede de televisão franco-alemã no próximo sábado, dia 16, às 19h locais (14h no horário de Brasília).

Preso no Brasil desde 2007, Battisti se tornou o pivô de uma crise diplomática entre Brasil e Itália depois que o ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu no dia 13 de janeiro conceder a ele o status de refugiado político.

A decisão final sobre a concessão de refúgio político cabe ao STF, que deve anunciar em breve se Battisti continuará no Brasil ou se será extraditado para a Itália.