PT gaúcho volta a defender CPI e fala em impeachment de Yeda

Marina Mello, Portal Terra

BRASÍLIA - Deputados estaduais do PT do Rio Grande do Sul voltaram a defender durante este fim de semana a criação de uma CPI para investigar as novas denúncias contra a governadora Yeda Crusius (PSDB) com as informações - supostamente obtidas em gravações de seu ex-coordenador de campanha Marcelo Cavalcante - encontrado morto em Brasília no ano passado.

De acordo com reportagem da última edição da revista Veja, nos diálogos que Cavalcante mantinha com o empresário Lair Ferst - suposto envolvido em esquema de fraudes no Detran do Estado - ele falava de diversas irregularidades relacionadas à Yeda e ao PSDB gaúcho.

Diante das novidades, o deputado estadual Raul Pont acredita que o PT gaúcho finalmente conseguirá obter as 19 assinaturas necessárias para criar uma CPI.

- Nós já temos o compromisso de alguns partidos como PSB, PC do B, no PT temos nove votos, e acredito que com as novas denúncias, teremos os votos do PDT. Com isso, tudo indica que até o fim desta semana conseguiremos reunir as assinaturas necessárias para formar a CPI - afirmou o deputado.

- Até no PMDB existem vários descontentes contra Yeda e a ala governista que podem assinar o documento de criação da CPI - completou.

Na visão do deputado, as novas informações supostamente obtidas em diálogos mantidos pelo falecido coordenador reforçam os argumentos anteriormente defendidos pelo PT como motivo para se criar uma CPI.

- Essas novas denúncias reforçam os indícios que tínhamos na CPI do Detran - afirmou.

Para ele, como o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não possui alguns recibos apontados por ela como doação de campanha, o caso pode configurar até um pedido de impeachment já que ficaria comprovada a fraude eleitoral.

- Se ela já declarou na imprensa que fez doação com recibo e o recibo não aparece no TRE, isso já é motivo para que entremos no Ministério Público do estado neste sentido - explicou o petista.

As denúncias contra a governadora Yedas Crusius tiveram início com informações trazidas pelo seu próprio vice, Paulo Feijó, que a acusou de ter usado caixa dois.

Depois disso, uma investigação da Polícia Federal detectou um esquema corrupto dentro do Detran do Estado que envolvia secretários do governo de Yeda, além de seu coordenador de campanha, Marcelo Cavalcante.

O coordenador foi encontrado morto em Brasília em 2008. A suspeita em torno da morte dele é de suicídio. Sua viúva, a empresária, Magda Koenigkan, em entrevista à revista Veja, falou sobre as irregularidades que o marido teria se submetido a cometer em nome da governadora gaúcha.