Yeda nega que marido tenha recebido R$ 400 mil de caixa 2

Portal Terra

DA REDAÇÃO - Em entrevista neste sábado em Porto Alegre, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, negou que o marido, Carlos Crusius, tenha recebido R$ 400 mil em espécie de duas fabricantes de fumo para caixa dois de sua campanha. Gravações divulgadas pela revista Veja desta semana mostram conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst. O áudio comprovaria o uso de caixa dois na campanha.

Na gravação, o ex-assessor diz que as empresas fabricantes de cigarro Alliance One e CTA Continental doaram, cada uma, R$ 200 mil em espécie, que foram entregues ao marido de Yeda, Carlos Crusius.

Yeda afirmou que o marido não trabalhou na arrecadação da campanha. Perguntada se as empresas fizeram as doações para caixa dois, a governadora respondeu que não leu a reportagem da revista, mas disse que "parece" que uma tem recibo da doação e que outra nega ter doado.

Questionada sobre a afirmação de que os R$ 400 mil teriam sido usados na compra de sua casa em Porto Alegre, Yeda disse que o Ministério Público já provou a idoneidade do negócio. "A prova da idoneidade está documento por documento feita pelo Ministério Público", disse.

Perguntada sobre o que pode ter levado a ex-companheira de Cavalcante, Magda Koegnikan, a fazer as declarações à revista, Yeda afirmou: "acho que é uma maneira de ela se salvar, quem sabe. Sobre ela recaem muitas suposições, muitas acusações. Eu não considero uma pessoa qualificada para falar sobre o governo do Estado do Rio Grande do Sul".

"Não considero a declaração dessa moça, não posso considerar. Qual é a versão que ela está criando? Para se livrar de uma das hipóteses do Marcelo que é suicídio induzido", afirmou Yeda. "Ela está falando como se tivesse ouvido de uma pessoa que não pode mais falar. O Marcelo está morto".

A Veja afirmou que teve acesso ao áudio há 40 dias, mas divulgou o conteúdo apenas após Magda reconhecer o conteúdo como verdadeiro. Segundo a revista, a ex-companheira de Cavalcante afirmou que o ex-assessor reconhecia o conteúdo da gravação e que ele já havia relatado os fatos para a mulher.

Segundo Magda, Ferst afirmou que entregaria as gravações às autoridades para provar que o esquema do Detran era mantido por integrantes do governo Yeda, e não por ele. Magda disse à revista que a afirmação fez Cavalcante se desesperar e o levou à depressão.

Yeda disse ainda que considera desqualificadas as informações da Veja. "Como é que uma pessoa grava um amigo quando tem que buscar, quem sabe, uma defesa (contra as acusações de desvio)?", questionou. "Então, a desqualificação dessas fontes eu faço questão de afirmar", disse a governadora.

Gravações

Segundo a revista, Cavalcante ainda afirmou que a governadora sabia do suposto esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O ex-assessor diz, na gravação, que entregou uma carta de oito páginas na qual o empresário Lair Ferst descreveria como funcionava o esquema que desviaria recursos. A carta foi entregue para que Ferst tentasse se livrar da suspeita de participação no esquema.

Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran.

A empresa Alliance One negou à Veja ter feito a doação em caixa dois e mostrou, de acordo com a revista, um comprovante de transferência bancária de R$ 200 mil. A CTA Continental negou qualquer doação.