Ex-babá diz que assinou documentos para filho de Zoghbi

Luciana Lima , Agência Brasil

BRASÍLIA - Citada como sócia majoritária de três empresas, que intermediavam empréstimos consignados de funcionários do Senado junto a instituições financeiras, Maria Izabel Gomes, 83 anos, teve que prestar esclarecimentos à Polícia Legislativa na tarde de hoje (8). Ela é ex-babá do ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi, suspeito liderar de um esquema milionário de intermediação de empréstimos consignados dentro do Senado. De acordo com a defesa de Zoghbi e de sua mulher, Denise, Maria Izabel teria afirmado aos policiais que chegou a assinar documentos a pedido do filho de João Carlos, Marcelo Zoghbi.

Ela mal lê e sequer está acompanhando a evolução desses fatos. Ela disse que assinou em confiança esses documentos para o Marcelo Zoghbi, que é como um neto para ela , disse o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que a acompanhou no depoimento tomado na casa do ex-diretor do Senado, uma mansão localizada no Lago Sul, bairro com o metro quadrado mais caro de Brasília.

De acordo com o advogado, João Carlos e Denise não sabiam que Marcelo teria pedido a Maria Izabel para assinar documentos. A ex-babá aparece como sócia majoritária das empresas DMZ Consultoria Empresarial, DMZ Corretora de Seguros e Contact Assessoria de Crédito, que intermediavam operações de crédito consignado com o Senado.

Apesar do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, ter designado hoje (8) o procurador Gustavo Pessanha Velloso para acompanhar o caso, o depoimento da ex-babá não contou com a presença do Ministério Público. Foi tomado na presença de dois advogados de defesa e de cinco policiais. De acordo com o advogado de Defesa, Denise Zoghbi estava na casa durante o depoimento da ex-babá, mas não permaneceu na sala. O advogado disse que João Carlos Zoghbi também não estava presente ao depoimento da ex-babá.

Além de ser acusado de criar empresas de fachada para intermediar empréstimos consignados, em entrevista concedida à revista Época, Zoghbi e Denise teriam informado um esquema irregular de contratações de empresas terceirizadas liderado pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia. De acordo com o advogado, no depoimento do casal, prestado separadamente à Polícia do Senado, Denise e João Carlos teriam negado ter acusado ex-diretor-geral do Senado de irregularidades.

Hoje, a Polícia Legislativa do Senado ouviu ainda depoimentos de funcionários da empresa Contact Assessoria de Crédito, que negaram qualquer relação com João Carlos Zoghbi. Foram ouvidos a sócia-gerente da empresa, Bianca Machado, a funcionária da administração, Ana Luíza, além de um motoboy, cujo nome não foi divulgado.

O advogado da empresa, Celso Lemos informou que Bianca Machado mostrou provas de que a empresa não é de fachada e deu detalhes de como a parceria entre a empresa e o Senado foi fechada. A Polícia Legislativa ouviu ainda servidores do Senado, do Prodasen e da Gráfica, que eram co-gestores destes contratos de empréstimos consignados.