Infraero: mudanças baquearam o PMDB, mas não serão revistas

Vasconcelos Quadros, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - No final da tarde de segunda-feira, o senador Romero Jucá (RR), líder do governo, e o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, se encontraram com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, na ante-sala do gabinete do presidente Lula, no Palácio do Planalto. Reclamaram da desmoralização das lideranças no Congresso com as demissões feitas de surpresa na Infraero e que atingiram os políticos que mais poderiam faltar ao presidente Lula numa eventual aliança pela candidatura da ministra Dilma Rousseff à sucessão presidencial. Jobim, um exemplar peemedebista, disse que não havia perseguição ao partido e que as mudanças seguiram um critério técnico, cuja guilhotina ceifou até cabeças de dirigentes do partido do presidente, o PT.

Posso afirmar que o PT não aparelhou na Infraero. Não há hoje nenhum nome do partido na empresa garante o superintendente da estatal no Rio, Pedro Azambuja, que perdeu o cargo com as mudanças operadas pelo brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva. A grande tragédia se abateu mesmo foi sobre o PMDB, que reinava absoluto como o aparelhador mor da estatal e, entre outros, perdeu os cargos ligados a Jucá e Alves, ironicamente os maiores defensores do governo no Congresso. Jucá perdeu os postos que estavam com um irmão e uma cunhada, Oscar Jucá e Taciana Canavarro, e Alves o que era ocupado pela ex-mulher, Mônica Azambuja. O PT, além de Pedro Azambuja ligado ao grupo do ex-ministro José Dirceu , perdeu também o superintendente em São Paulo, Edgar Brandão, indicado pelo ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio (PTB) teve de aceitar a demissão de Ingrid Luck, em Pernambuco, mas acabou se transformando no alvo do PMDB, que ensaiou um movimento em direção ao seu cargo, mas recuou.

O brigadeiro Nicácio Silva não quis dar entrevistas, mas avisou, através de sua assessoria, que não vai rever nenhuma das demissões consumadas até o início de abril. Anunciou também que o próximo alvo será o grupo de navegação aérea, um nicho de indicações políticas, que passará por uma faxina lenta e gradual nos próximos 60 meses. As demissões no setor, segundo ele, vão gerar uma economia de R$ 19 milhões por ano, sem interferir na qualidade dos serviços que vêm sendo prestados pela Infraero.